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Relação entre obesidade e diabetes

Diabetes é uma doença do metabolismo, causada pelo aumento da quantidade de açúcar no sangue. É uma enfermidade muito comum. Quase todo mundo tem um caso de diabetes na família.

Hoje, o diabetes adquiriu características de epidemia mundial. No Brasil, atinge 7% da população adulta, mas muita gente pensa que a doença não tem grande importância.

- Se a glicemia, isto é, se o açúcar no sangue não estiver muito alto, diabetes realmente não vai provocar manifestações clínicas muito importantes. O grande perigo é que, não percebendo isso, a pessoa pode querer compensar bebendo líquidos que têm muito açúcar , explica o doutor Marcello Bronstein, professor de Endocrinologia do Hospital das Clínicas da USP.
 
- O mais difícil é cortar o açúcar, confessa a dona-de-casa Elaine Cristina Borancelli, e continua: Tenho diabetes desde os 19 anos. São onze anos. Foi na gravidez que descobri. Já estava obesa antes de ficar grávida.

Só agora, aos 30 anos, Elaine resolveu finalmente se cuidar. A primeira consulta foi há nove meses, no Hospital das Clínicas, em São Paulo.

- O seu tipo de obesidade é bem característico de quem fica diabético. A gente pode ver que você tem bastante gordura na região da barriga. Suas pernas são fininhas, pois praticamente sua obesidade está toda localizada na barriga. Essa gordura acumulada na barriga é a mais perigosa que tem” “Vou medir a circunferência de sua cintura por cima da sua blusa só pra ter uma idéia de como está – 111 centímetros, fala o médico que a atendeu.

Quando falamos sobre hipertensão, explicamos que a medida da cintura não deve passar de 102 centímetros nos homens e de 88 centímetros nas mulheres. A mesma coisa vale para o risco de desenvolver diabetes. O tecido gorduroso que se acumula na cintura geralmente está associado à presença de gordura entre as vísceras abdominais.

Dr. Marcello Bronstein - A gordura tem um papel muito importante para o desenvolvimento de diabetes. A gordura, principalmente a abdominal, que se localiza entre as vísceras, funciona como barreira para inibir a ação da insulina.
 
De 80% a 90% dos adultos acometidos pela forma mais comum de diabetes estão acima do peso. O tecido gorduroso aumenta a resistência à entrada da glicose na célula. Toda vez que o diabético engorda fica mais difícil controlar a glicemia, isto é, a taxa de açúcar no sangue. Quando emagrece, a glicemia cai. Obesidade anda de mãos dadas com diabetes.

Como os automóveis, as células precisam de combustível para funcionar. O principal combustível do organismo é a glicose da alimentação. Mas a glicose não consegue vencer sozinha a barreira representada pela membrana das células. Precisa de ajuda pra entrar. Essa ajuda é dada pela insulina produzida no pâncreas.

Nas pessoas obesas, a insulina encontra mais dificuldade para transportar a glicose para dentro das células. Como sobra glicose na circulação, o pâncreas reage fabricando mais insulina. Quanto mais glicose no sangue, mais insulina é necessária. Por isso, com o tempo, o pâncreas pode ser levado à exaustão.

Dr. Drauzio - Você sabe que a pele do frango e a gordura que fica embaixo dela são as partes mais gordurosas do frango? Se quiser tirar a gordura tem que jogar a pele do frango fora. Para controlar o consumo de gordura, a recomendação é que uma família de quatro pessoas consuma, no máximo, uma lata, uma lata e meia de óleo por mês.

O tipo de diabetes associado à obesidade é chamado de diabetes tipo 2. Ele é resultado da resistência à ação da insulina e da produção insuficiente desse hormônio pelo pâncreas. O diagnóstico é feito por um exame de sangue, colhido pela manhã, em jejum. O exame mede a taxa de glicose na circulação.

A glicemia feita em jejum estará normal quando ficar entre 70 e 99. Se o resultado em jejum for de 100 a 125, existe intolerância à glicose, isto é, entre 100 e 125 está aberta a porta para o diabetes. Se em jejum ela passar de 125, o diabetes está instalado.

Elaine - Minha mãe era bem obesa mesmo. Meu pai nem tanto, mas tinha assim como eu, o corpo fino, as pernas finas, e aquela barriga. Minha mãe e meu pai eram diabéticos. Meus avós, tanto maternos quanto paternos, também.

Cristiane, a irmã de Elaine, tem só 34 anos. Descobriu que era diabética aos 19, quando pesava 140 quilos. Durante todo esse tempo, 15 anos, Cristiane não se cuidou adequadamente. Não fez dieta...

- Comia doce, pão, lanche, refrigerante, comia qualquer coisa, massa, tudo o que vinha na frente eu comia. E o açúcar ficou o tempo todo descontrolado, confessa.

Sem fazer exame, o diabético não percebe quando a glicose está elevada. Os sintomas só aparecem quando ela está muito alta. Glicemia fora de controle provoca doenças cardiovasculares, insuficiência renal, feridas que não cicatrizam, principalmente nas pernas e nos pés, e perda da visão.

Elaine - Meu pai e minha mãe faleceram assim. Meu pai enfartou e minha mãe foi de derrame, aos 51 e 52 anos.

Decidida a viver de forma mais saudável do que o resto da família, Elaine está seguindo direitinho as orientações que recebeu no Hospital das Clínicas. Está controlando a alimentação e começou a praticar exercícios.

Dr. Marcello Bronstein - A atividade física deve fazer parte do dia a dia do diabético, com mais ênfase até do que no obeso que não tem diabetes. Qualquer exercício, principalmente o aeróbico. O diabético precisa manter a atividade muscular regularmente. Não adianta ser um atleta de fim de semana. Ao contrário, isso pode ser perigoso.

Dr. Drauzio - Vamos ver como estavam seus exames quando você começou a reeducação alimentar, todo esse tratamento. Sua glicose estava 217. Agora, depois de nove meses que você tomou vergonha e fez as coisas direitinho, olhe a glicose: 102.

Elaine - Estou mais alegre, mais contente. A minha família também, de me ver mais feliz. Eu era muito triste, tinha depressão de me olhar. Agora não, eu me olho, gosto de me olhar. Gosto de me olhar, é muito bom!

A história da Elaine mostra que diabetes é uma doença crônica. Não tem cura, mas pode ser controlada. E controlar o diabetes, mantendo a quantidade adequada de açúcar no sangue, evita muitas complicações.