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Malária: o terror da mata

Existem três tipos diferentes de malária (a benigna, a
maligna e a intermediária) e medicamentos específicos
para cada um deles. É claro que a maligna é a mais perigosa.
O sintoma mais evidente é um frio terrível. A pessoa não
pára de tremer. Sem tratamento, o acesso dura dias. Tira a fome,
tira a sede, tira o ânimo. Quando desaparece, a fraqueza e o desânimo
tomaram conta do indivíduo. Tive as duas malárias. Ao
todo 253 acessos. Ate hoje, mesmo vivendo em São Paulo, tenho
os dois remédios em casa, porque o plasmódio, que se localiza
no baço, nunca é eliminado. Se houver uma queda de temperatura
muito grande, por exemplo, o baço se contrai, joga o plasmódio
na circulação e vem o acesso.
Além da malária, só vez ou outra pegávamos
uma gripe. Doenças mais graves, não existiam por lá.
Quando a mortalidade infantil aumentou no Xingu, fui a São Paulo
e pedi ajuda.
A enfermeira Marina (com quem me casei depois) decidiu me acompanhar.
Sua chegada mudou radicalmente aquele panorama triste: ficamos quatro
anos sem um óbito infantil na região. A façanha
foi até citada numa revista de saúde americana. O título
do artigo era: “Xingu: quatro anos sem óbito infantil por
causa da assistência à criança”.
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