BUSCA

 

Villas Bôas
Curiosidades da infância
Amigo de Jânio Quadros
Marcha para o oeste
Mão de obra sertaneja
Contratação de trabalhadores
Ataque dos xavantes
Boca Rica
Inferno de mosquitos
Malária: o terror da mata
Transmissão de doenças aos índios
Incidente com a rainha da Bavária
Contato com os índios calapalos
Tribos mais hostis
Lição para a sociedade civilizada
Laços afetivos
Pensamento abstrato, crenças e mitos
Trabalho de catequese dos índios




Inferno de mosquitos


No verão, os mosquitos viravam uma praga insuportável. Na beira dos rios, era quase impossível comer qualquer coisa, porque entrava mais mosquito do que alimento quando se abria a boca. A solução era comer praticamente com a cabeça debaixo d’água. Certa vez, apareceu por lá um americano levando um equipamento que ele dizia ser sensacional: uma espécie de máscara com zíper que se abria na hora de levar o alimento à boca. Quando foi fazer a demonstração, porém, e puxou o zíper, foram tantos os insetos que entraram pela abertura que ele quase enlouqueceu.
As noites, ali, se transformavam num verdadeiro inferno. A única coisa que ajudava a afugentar um pouco as nuvens densas que nos rodeavam era fazer um fumaceiro. Acontece que ninguém agüentava respirar por muito tempo no meio da fumaça e bastavam alguns passos de distância para que eles voltassem a atacar. No acampamento, havia mosqueteiros que poderiam ser usados para nos proteger enquanto dormíamos. Todavia, por relaxamento, porque ficava muito quente ou dava muito trabalho, ou porque alguns conseguiam entrar e presos lá dentro se refestelavam com nosso sangue, a proteção acabava sendo posta de lado.
E era pium, maruim, borrachudo, muriçoca - o transmissor da malária - e o carunchinho que não voa nem pica, mas caminha por nosso corpo e provoca uma coceira danada. Por sorte, com o tempo as picadas vão imunizando a gente. Vai-se criando uma certa resistência às picadas e a coceira parece diminuir.
No entanto, todos pegamos malária. Por quê? Porque o civilizado, por comodidade ou segurança, constrói as casas na beira do rio e o mosquito transmissor da doença só precisa de água para proliferar. Se elas fossem construídas no espigão, o risco seria menor. Nas aldeias indígenas, é raro encontrar muriçocas.