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Ataque dos xavantes

Durante a jornada, o abastecimento de comida era fundamental e ficava
a meu cargo. Saíamos a cada dez dias mais ou menos para garantir
que não faltasse arroz, feijão, farinha e rapadura. O
caminho era uma picada que ia sendo aberta na mata, muitas das quais
serviram de base para a construção de estradas grandes
e bonitas.
É verdade que não foram raras as escaramuças dos
índios que tivemos de enfrentar. Os xavantes não aceitaram
nossa presença. Índios agressivos, já haviam atacado
duas expedições e matado seus componentes.
Numa ocasião, voltávamos com a tropa carregando as compras
quando fomos surpreendidos pela gritaria de um grupo de índios
constituído por homens, mulheres, velhos e crianças que
se aproximava. Cláudio teve a idéia de subir num cupim
enorme para avaliar quantos eram. Para sua surpresa, do lado oposto
aos gritos, folhas de palmeira que se movimentavam ondulantes serviam
de camuflagem para índios que nos iriam atacar pelas costas.
Deu alarme e os sertanejos se desorientaram. Ordenamos que levantassem
os mosquetões e foi disparada uma rajada de tiros para o alto.
Os índios arremessaram as palmas longe e fugiram todos. Daí
em diante, mudaram de tática. Só atacavam se a pessoa
estivesse sozinha. Por isso, nenhum trabalhador pôde sair mais
desacompanhado.
Os xavantes são índios que vivem essencialmente nos campos
e cerrados. Quando entramos na mata do rio Curuene, desapareceram para
reaparecer quando dela saímos.
Aos poucos, porém, fomos percebendo que nos atacavam não
porque estivessem bravos com a nossa presença. Temiam ser desalojados
de suas terras e reagiam todas as vezes que erguíamos uma edificação
qualquer. Daí em diante, antes de seguir viagem, desmanchávamos,
por exemplo, o ranchinho que servira para guardar mercadorias e jogávamos
pedaços de paus no campo de pouso para mostrar que ele não
seria mais utilizado. Depois disso, continuaram nos vigiando, mas nunca
mais nos ameaçaram.
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