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Mão de obra sertaneja

O trabalho de abrir picada é árduo, muito difícil
e a mão de obra com que contávamos era toda nordestina
e recrutada nos garimpos do Brasil Central, principalmente nos dos rios
das Garças, Araguaia e em seus afluentes.
Esses homens atravessavam a Bahia, entravam no rio dos Peixes, desciam
para o Araguaia de onde tratavam logo de sair porque os índios
Carajás não gostavam de ver gente estranha por aquelas
bandas.
Uma das características do sertanejo é não ter
pressa. A viagem durava entre seis meses e um ano. De uma hora para
outra, porém, surgiam de cinco a seis mil garimpeiros que se
punham a escavar a catra, um buraco descomunal que só depois
de atingir 5m ou 6m de profundidade deixava à vista os cristais
de rocha. Se esses não fossem a pedra desejada, os homens partiam
para cavar noutro lugar.
Não tardava muito para aparecerem mulheres no acampamento. Sua
chegada era sempre tumultuada. Era um corre-corre danado e muita gente
morria disputando espaços e companheiras.
Nesses povoados que se formavam rapidamente, a única autoridade
era o revólver. O dono do melhor revólver virava o cabra
mais respeitado.
A vida no garimpo é sempre uma surpresa. A lida começa
às sete horas da manhã, com o sujeito cavando buraco,
arrastando pedras ou lavando na bateia e só termina quando a
noite cai. Aí, o trabalhador vai para os botecos comer, beber
cachaça e desentender-se por besteiras. O garimpeiro luta para
achar diamantes ou ouro e luta para sobreviver.
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