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Trabalho de catequese dos índios

Sempre fomos contra as missões religiosas nas áreas indígenas.
A intenção pode ser boa, mas os resultados são
muito discutíveis. Quando a tônica do trabalho é
salvar almas e pregar uma crença que o índio jamais terá
condições de entender em profundidade, não vale
a pena. A abordagem deve visar à mudança da opinião
que eles fazem dos civilizados: homens maus que vivem em guerra.
O índio é uma criatura boníssima, que vive satisfeito
dentro de sua comunidade e ninguém tem o direito de quebrar a
harmonia interior dessas pessoas. Enquanto convivemos com eles, sempre
reforçamos a idéia de que só sobreviveriam se preservassem
seu jeito trabalhar, de conversar, de interagir uns com os outros, suas
crenças, seus costumes, sua cultura, enfim. Não está
certo querer enfiar em suas cabeças valores que não sejam
pertinentes à sua visão de mundo.
E é isso que as missões fazem. Querem substituir a aldeia
para onde vão os índios depois que morrem pelo céu
dos católicos ou dos evangélicos. Os índios acreditam
que têm três almas: a primeira tenta ir para o céu,
mas os passarinhos comem no caminho; a segunda fica no corpo do morto
e só a terceira, que é a alma boa e sã, alcança
o céu onde se transforma em gente e passa a viver tranqüila.
Que outra verdade indiscutível se pode oferecer em troca dessa
crença que os conforta?
Quando o Brasil foi descoberto, estima-se que havia cinco milhões
de índios. Atualmente, existem aproximadamente 300mil. Como se
pode deduzir com facilidade, eles pagaram um tributo muito alto por
esse contato com uma sociedade mais forte. Eles nos deram um continente
e nós continuamos porfiando por terras essenciais para a sua
sobrevivência.
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