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Laços afetivos

As mães são extremamente carinhosas. As crianças
índias não aprendem a engatinhar porque saem do colo materno
já podendo caminhar. A menina é criada sempre junto da
mãe e o menino, assim que aprende a andar, passa a seguir os
passos do pai, observando tudo o que ele faz e tentando imitá-lo
porque intui que um dia será um homem com obrigações
dentro da aldeia.
Nunca ouvi um indiozinho dizer não para pai e mãe e nem
os pais dizerem não para os filhos. Apesar dessa aparente falta
de limites, a criança não desenvolve maus comportamentos
porque cresce copiando a conduta dos adultos.
As relações conjugais são serenas. Não há
brigas entre marido e mulher. Se algum desentendimento surge, a queixa
é levada para o pajé e o problema acaba sendo resolvido
a contento. O homem pode ter até três mulheres. Se a primeira
concordar, ele pode casar-se com a segunda e, se as duas estiverem de
acordo, ele pode desposar a terceira. Elas, em geral, não se
opõem porque o trabalho da primeira esposa passa a ser realizado
pelas outras companheiras. Ela não carrega mais água,
não arruma mais a maloca nem se levanta para comer porque é
servida na rede. O marido, com um gesto, indica qual das outras duas
deve armar a rede debaixo da rede dele. Essa fica responsável
por manter o fogo aceso durante a noite toda porque o índio é
muito friorento. Fazer o fogo, entretanto, é função
do homem. Ele pega uma haste de urucum e a fricciona num pedaço
de pau até sair a primeira fumacinha sob o olhar atento do curumim
que se põe a soprar e a colocar folhinhas secas para dar força
à chama.
A convivência entre os índios é marcada por comportamentos
bastante pitorescos. Um homem volta da pesca trazendo uma fieira de
peixes. Quando entra no pátio da aldeia, se ouve alguém
gritar, registra quem foi porque na hora em que a comida estiver pronta,
o primeiro pedaço será oferecido para o índio que
gritou. Por isso, ele fica na espreita, escondido, e só corre
para casa se não vê ninguém por perto. Sujeitos
pouco precavidos, às vezes, têm que reservar quatro ou
cinco porções para os companheiros que os viram passar
com os peixes. E tudo é feito naturalmente, sorrindo, sem rixas
nem desavenças. Pacíficos no interior da aldeia, eles
se tornam agressivos quando vêem ameaçada de ocupação
uma área importante para sua tribo. A beligerância só
se manifesta quando interesses territoriais estão em jogo.
É um mundo diferente, habitado por gente que respeita tradições
que o homem civilizado custa a entender.
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