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Lição para a sociedade civilizada

Durante a longa permanência entre os índios, a única
contribuição que talvez lhes tenhamos dado, foi mostrar
aos civilizados que o índio brasileiro não é um
selvagem agressivo e destruidor. Nós trouxemos a notícia
de que eles constituem uma sociedade tranqüila, alegre. Ali, ninguém
manda em ninguém. O velho é dono da história; o
índio, dono da aldeia e a criança, dona do mundo. Nesse
tempo todo em que vivemos perto deles, nunca assistimos a uma discussão,
a uma desavença na aldeia ou a uma briga de marido e mulher.
Se a criança faz alguma coisa que o pai desaprova, ele não
a repreende. Apenas a tira de onde está e a leva para outro lugar.
É admirável, também, o respeito que os pequenos
têm pela natureza, valor que adquirem observando o comportamento
dos mais velhos.
O chefe, ou cacique, é o líder cultural da aldeia. Ele
goza de muitas prerrogativas, mas deve observar uma série de
restrições: não pode falar alto, nem rir ou fazer
gestos bruscos, por exemplo. Sua função não é
impor regulamentos nem determinar tarefas, mas estabelecer uma ligação
entre a comunidade e os pajés que se reúnem todas as tardes
para conversar, fumar e deliberar sobre o bom andamento da tribo. O
cacique não participa da conversa. Apenas ouve o que está
sendo dito e na manhã seguinte, segurando o arco numa das mãos,
dirige-se ao povo que se junta diante de sua maloca para escutar as
recomendações dos pajés e, em seguida, colocá-las
em prática. Supostamente os pajés nunca erram porque não
têm outra preocupação além de ficar zelando
pelo bem-estar da comunidade.
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