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Incidente com a rainha da Bavária

O caso aconteceu em Xavantina e não no Xingu durante a visita
dos reis da Bavária. Criei uma arara que conviveu comigo durante
muito tempo. Por onde eu andava, ela me seguia voando. Se eu levantasse
o braço, ela descia e pousava no meu ombro. A ave tinha, porém,
uma esquisitice: ninguém podia chegar perto de mim que ela avançava.
O primeiro a nos visitar foi o rei. Gostou tanto que mandou chamar a
esposa. Na hora do jantar, fui buscá-la para conduzi-la ao refeitório.
Tínhamos de atravessar um pátio com mais ou menos 80m.
A arara nos acompanhava lá do alto. Levantei o braço e
ela desceu. Sem que ninguém se desse conta tal a rapidez do movimento,
do meu ombro saltou para o ombro da rainha e prendeu a sua orelha com
o bico. As duas rolaram no chão. Foi sangue espalhado por todo
o lado.
Eu havia treinado a arara para soltar a presa dando-lhe um tapa no bico.
Foi o que tentei fazer, mas errei a mira e acertei a cara da rainha.
A arara levou um susto e voou. A rainha levantou-se do chão indignada,
foi para seu alojamento, fechou as malas, chamou o piloto e exigiu que
ele a levasse embora apesar da noite que se aproximava.
Em Brasília, apresentou queixa de que tinha sido agredida no
parque. Fui convocado pelo Itamarati para prestar declaração.
“Senhor Villas Bôas, temos uma queixa da Bavária
dizendo que o senhor agrediu a rainha”. Contei-lhes exatamente
o que havia se passado. Não tivera a mínima intenção
de esbofetear sua majestade. Queria era acertar o bico da arara. Os
embaixadores aceitaram minhas explicações sem dificuldade
e mandaram que reassumisse o meu trabalho.
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