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Transmissão de doenças aos índios

A preocupação de não transmitir doenças
para os índios era muito grande. Para tanto, procurávamos
mantê-los o maior tempo possível em suas aldeias. Quando
chegavam pessoas de fora para visitá-los, a aproximação
só era permitida se achássemos que estavam em perfeitas
condições de saúde. Na última fase do nosso
trabalho, felizmente, contávamos com a colaboração
da Escola Paulista de Medicina. De certa forma, os índios já
tinham adquirido certa resistência, existia bom estoque de medicamentos
e havia sido feita uma seleção das ervas terapêuticas
encontradas na mata.
Na verdade, enquanto lá estivemos, só entravam no Xingu
pesquisadores credenciados por grandes universidades. Outros visitantes
ficavam no posto, nunca iam às aldeias, mesmo porque a mais próxima
ficava a dez quilômetros de onde estávamos sediados.
A curiosidade em conhecer o índio, sua maneira de viver e a organização
tribal atraía muita gente dos Estados Unidos e da Europa. Por
isso, valeu a pena estabelecer determinadas regras porque, assim, sofreram
menos os índios e os visitantes civilizados. O rei Leopoldo da
Bélgica, por exemplo, veio ao Brasil, conversou com o presidente
da República e foi levado ao Xingu para ficar dois dias. Ficou
58. Só voltou com a presteza que fez quando recebeu uma carta
da mulher furiosa com sua ausência.
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