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Isaias Raw, um dos mais eminentes cientistas
da área das ciências biológicas do Brasil, foi
professor de Bioquímica na Faculdade de Medicina da Universidade
de São Paulo, trabalhou no exterior no período em
que esteve exilado depois da revolução de 1964 e hoje
dirige o Instituto Butantã, um dos orgulhos da ciência
nacional. |
Promessa de futuro promissor

Drauzio – O senhor vê com otimismo
o futuro do Butantã?
I.Raw – Certamente. Agora pretendemos empenhar
nossos esforços nos produtos da área de saúde pública
que o governo não tem verba para pagar a conta. É o caso
do sulfactante pulmonar, dos medicamentos para os doentes renais e do
interferon. É ilimitado o que ainda pode ser feito se olharmos
pelo prisma da saúde publica.
Quando assumi o Butantã, havia uma verba para a produção
de soro que era vendido para o Ministério e o dinheiro recolhido
ao tesouro nacional. Hoje, o Instituto produz muito mais do que o estado
subsidia e o dinheiro proveniente da venda de vacinas é dividido
em duas partes: uma empregada na reforma e manutenção
dos prédios antigos e outra, na produção de vacinas.
Temos uma eficácia administrativo-financeira bastante satisfatória.
Cada dia que se aposenta um funcionário público, ele é
substituído por outro que vai fazer parte do quadro de funcionários
pagos por nós. Assim, evitamos que o governo estadual tenha sob
seu encargo dois funcionários: o que fica em casa recebendo a
aposentadoria e o novo contratado. Isso em nada prejudicou a qualidade
de nossas vacinas.
Atingimos também uma eficácia tecnológica. Nossas
vacinas são fiscalizadas pela OMS segundo as boas práticas
de manufatura e pelo governo que fiscaliza cada lote. Raramente um lote
do Butantã é rejeitado. Nossas vacinas são seguras,
garantidas e baratas. O governo brasileiro não conseguiria mais
oferecê-las com o dinheiro fixo de que o Ministério da
Saúde dispõe. A população brasileira não
pára de crescer o que faz do Butantã uma peça-chave
nesse processo de atendimento público.

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