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As forças ocultas existem Drauzio – Por que o senhor acha que isso acontece? I.Raw – Em parte porque deslocamos um mercado extremamente lucrativo. Considerando apenas a vacina de hepatite, a demanda brasileira é de 40 milhões de doses. Há anos, luto para montar uma fábrica de imunoglobulina e albumina. O Brasil gasta na importação desses produtos 200 milhões de dólares por ano. Para montar uma fábrica de Primeiro Mundo, gastaria 25 milhões e aproveitaríamos o plasma que colhemos e estamos jogando fora. Drauzio – Quer dizer que tiramos o sangue dos doentes, aproveitamos as hemáceas e outros componentes, mas jogamos fora a parte líquida pobre em células que é o plasma. Tecnologia para aproveitá-lo não seria o problema, seria? I.Raw – No Butantã existe gente com experiência para tocar o projeto e o Brasil poderia produzir toda a imunoglobulina, toda a albumina e todo o fator VIII para tratamento de hemofílicos de que necessita e, eventualmente, exportá-los para outros países. No momento, através da engenharia genética, estamos trabalhando para substituir o fator VIII importado. Os japoneses estão tentando substituir a albumina. Entretanto a imunoglobulina, isto é, os anticorpos, que não tem uma molécula fixa, vai ser sempre retirada do plasma. Drauzio – Que forças são essas que impedem a execução de projetos como esse? I.Raw – Não sei. Só sei que as forças ocultas existem. A tropa de choque é fácil identificar, mas há os que financiam essa gente e aí fica mais complicado. Em 2.000, o Butantã produziu quase 70 milhões de unidades de vacinas a um preço mínimo. Somos uma indústria que não é pequena, com funcionários mal remunerados que só pedem a oportunidade de poder trabalhar. |
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