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Produção de vacinas
Instituto Butantã: centro produtor de soros e vacinas
Produção de acordo com os padrões internacionais
Importância da pesquisa para o desenvolvimento de projetos
Produção do sulfactante pulmonar
Vacina contra hepatite B
As forças ocultas existem
Vacina de meningite B e associação de vacinas
Promessa de futuro promissor





Isaias Raw, um dos mais eminentes cientistas da área das ciências biológicas do Brasil, foi professor de Bioquímica na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, trabalhou no exterior no período em que esteve exilado depois da revolução de 1964 e hoje dirige o Instituto Butantã, um dos orgulhos da ciência nacional.

Produção do sulfactante pulmonar

DrauzioO Butantã recebe grande parte das verbas de pesquisa através da FAPESP?
I.Raw – A pesquisa tecnológica, entre todas, é a mais cara. Para fazer, por exemplo, uma nova vacina de meningite B, é preciso montar um laboratório capaz de produzi-la de forma que possa ser injetada em gente, o que é praticamente construir uma fábrica de novo.
Por isso, talvez, nestes últimos 50 anos, a coisa que me tenha dado mais prazer pela velocidade e acidentalmente pelo modo que caminhou foi um projeto financiado pela FAPESP e patrocinado pela Sadia. A meta era produzir sulfactante pulmonar, um detergente que se forma normalmente no final da gravidez. Quando a criança dá o primeiro choro, se não houver sulfactante, o pulmão não expande, os alvéolos ficam colabados e a criança terá um problema grave, mais ou menos intenso dependendo da maturidade pulmonar do recém-nascido.
No Brasil, nascem por volta de 150.000 crianças por ano nessa situação, porque são prematuras por peso ou por nascimento antecipado. Se as crianças não forem salvas, os prejuízos psicológicos e econômicos para a família e para o país serão consideráveis.

DrauzioQuanto custa esse tratamento?
I.Raw – Cada criança demanda um ou dois tratamentos. O sulfactante custa R$500,00 por ampola, valor que multiplicado por 150.000 consome boa parte da verba do Ministério da Saúde.
Como esse produto é feito de pulmão de boi ou de porco, entramos em contato com a Sadia que nos forneceu os pulmões e colaborou com um pouco de dinheiro. No entanto, o projeto não podia ser desenvolvido apenas na mesa. Esse é um dos grandes problemas da universidade brasileira. Ela resolve o problema e espera que a indústria ponha em prática suas conclusões. Quando um industrial vai comprar uma tecnologia, porém, quer saber quais são os custos envolvidos: quanto de energia elétrica se gasta, quanto de água, onde se compra a matéria-prima e qual seu preço. Por isso, foi preciso montar um piloto que, para minha surpresa, não só funcionou depois de pequenas modificações, como vai ser possível produzir o sulfactante para as 150.000 crianças que nascem por ano num laboratório que ocupa um espaço físico muito pequeno.

DrauzioQuanto vai custar cada ampola?
I.Raw – Vamos vender a R$50,00 cada ampola. Eu era um professor universitário de Bioquímica. Não estava interessado em indústria nem em resolver problemas reais da sociedade. Produzir esse sulfactante provou que isso é possível e precisa ser feito.

DrauzioEssas diferenças chocantes nos preços levam a pensar que há alguma coisa errada nesse universo, o senhor não acha?
I.Raw - Nesse caso específico, posso dizer que a tecnologia que desenvolvemos é melhor do que a estabelecida no mercado. Nós criamos um método extremamente simples e eficiente para obter esse produto.
No caso dos preços dos medicamentos em geral, o problema não se resume aos impostos que não são baixos. Os custos incluem viagens de médicos a congressos, amostras grátis, publicidade, o salário dos propagandistas que visitam os consultórios, etc.