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Produção de vacinas
Instituto Butantã: centro produtor de soros e vacinas
Produção de acordo com os padrões internacionais
Importância da pesquisa para o desenvolvimento de projetos
Produção do sulfactante pulmonar
Vacina contra hepatite B
As forças ocultas existem
Vacina de meningite B e associação de vacinas
Promessa de futuro promissor





Isaias Raw, um dos mais eminentes cientistas da área das ciências biológicas do Brasil, foi professor de Bioquímica na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, trabalhou no exterior no período em que esteve exilado depois da revolução de 1964 e hoje dirige o Instituto Butantã, um dos orgulhos da ciência nacional.

Instituto Butantã: centro produtor de soros e vacinas

DrauzioComo o Butantã se transformou num centro produtor de soros e vacinas?
I.Raw – O Instituto Butantã começou a funcionar logo depois que surgiu um problema de peste no porto de Santos, improvisando uma vacina e um soro e, mais tarde, começou a produzir soros contra picadas de cobra.
Em 1985, quando o governo brasileiro resolveu fiscalizar os produtos fornecidos pelo Instituto e por demais 17 instituições, verificou-se que nem os soros nem as vacinas funcionavam. Como o soro contra a picada de cobra tem de ser produzido com o veneno do animal que existe no país, o Ministério da Saúde decidiu investir recursos para refazer o parque de produção de soros e vacinas, especialmente o de soros, porque esses não podiam ser importados. A idéia do governo era que aumentando a produção o problema estaria resolvido. Entretanto, ele não se resumia em trocar uma panela de 300 litros por outra de 500 litros. Era preciso fazer bem feito e de acordo com os padrões internacionais.
O Butantã assumiu o projeto e conseguiu realizá-lo com sucesso a ponto de, neste início do século XXI, existir uma capacidade ociosa para a produção de soros feitos em cavalos (a toxina do tétano e o vírus da raiva são inoculados em cavalos que depois são sangrados para separar a imunoglobulina) em parte porque nosso soro dura mais tempo do que se imaginava e por isso a demanda, de certa forma, diminuiu. No entanto, o Butantã continua sendo o único lugar do mundo onde alguém picado por cobra encontra soro para tomar antes que tenha uma lesão grave e irreversível.

Drauzio Os soros hoje são absolutamente confiáveis?
I.Raw – Todos os soros e vacinas, antes de serem distribuídos, são testados pelo INCQS (Instituto Nacional de Controle de Qualidade Imunobiológica) no Rio de Janeiro. Quando importávamos o grosso das vacinas de difteria, tétano e coqueluche, foi chocante verificar que as vacinas importadas não passaram no teste de controle de qualidade e que as produzidas pelo Butantã passaram. Talvez, só nesse momento, o governo tenha começado a acreditar no trabalho ali desenvolvido.

Drauzio De onde vinham essas vacinas no passado?
I.Raw - A maioria vinha de firmas européias e uma delas até foi riscada da lista dos fornecedores da OMS (Organização Mundial de Saúde). Em relação à vacina de coqueluche, sempre houve um pequeno inconveniente: em duas mil crianças, uma apresenta um problema mais sério, mas sempre digo que a possibilidade de a criança ser atropelada na porta de um posto de saúde é maior do que a de ter um quadro de coqueluche grave provocado pela vacina.