Introdução
Cientista avesso às aulas
Formou-se médico para ser zoólogo
Harvard: choque cultural
A paixão pelo evolucionismo
Zoólogo, um coletor itinerante
Diversidade animal e teoria dos refúgios
Darwin: a história de um biólogo
Darwin e Lamarck
Impacto da teoria darwiniana
Darwin e Wallace
Como surge uma teoria
Teoria da evolução
Desenvolvimento científico e Genética
Cientista de unhas sujas
Vida de compositor







Darwin e Lamarck


Drauzio - Qual sua visão a respeito de Lamarck e sua influência no trabalho de Darwin?
Vanzolini - Lamarck foi um naturalista injustiçado. Suas experiências cortando o rabo dos ratos e constatando que os filhotes continuavam nascendo com rabo, comprometeram sua reputação. Lamarck defendia que o desuso de um órgão acabava levando-o à atrofia, mas que, se fosse estimulado, desenvolveria características que seriam transmitidas às gerações futuras. Para sermos mais claros, vamos analisar o que acontece com os órgãos vestigiais. Os peixes que nascem em cavernas escuras praticamente não enxergam. Essa perda dos órgãos rudimentares pedia uma explicação que, com o tempo, a genética se encarregou de oferecer. Sabe-se, hoje, que para manter algo complicado como o olho em funcionamento são necessários inúmeros genes. Se algum deles fracassa, a probabilidade de o bicho morrer é grande e, nesse caso, o gene defeituoso será descartado. Isso é a seleção natural. Agora, o bicho sobrevivendo, porque ter ou não ter olho não faz a menor diferença, os defeitos se acumulam de uma geração para a outra e provocam mutações deletérias permanentes. Na época, Lamarck chegou à única conclusão que a ausência de conhecimento genético permitia: o desuso explicava esse tipo de fenômeno. Darwin era lamarckiano e, mesmo depois de "A origem das espécies", repetia os ensinamentos de Lamarck.

Drauzio - Se, ao nascer, uma criança tiver um dos olhos ocluídos, 30 dias depois estará cega definitivamente porque os genes responsáveis pela visão não foram ativados. Essa característica pode ser transmitida a seus descendentes?
Vanzolini - Não, porque essa criança sofreu uma perturbação externa durante o período de desenvolvimento e, desde que a oclusão não se repita em seus descendentes, estes enxergarão normalmente, pois os genes que pais e filhos carregam não são defeituosos como os dos peixes das cavernas.