Introdução
Cientista avesso às aulas
Formou-se médico para ser zoólogo
Harvard: choque cultural
A paixão pelo evolucionismo
Zoólogo, um coletor itinerante
Diversidade animal e teoria dos refúgios
Darwin: a história de um biólogo
Darwin e Lamarck
Impacto da teoria darwiniana
Darwin e Wallace
Como surge uma teoria
Teoria da evolução
Desenvolvimento científico e Genética
Cientista de unhas sujas
Vida de compositor







Darwin: a história de um biólogo

 

 

 

Drauzio - Professor, vamos falar um pouco sobre Charles Darwin, o nome mais importante para quem estuda ciências naturais.
Vanzolini - Charles Darwin pertencia à classe alta inglesa. Não precisava trabalhar. Ele sempre gostou de história natural e, ainda jovem, conseguiu emprego numa das inúmeras expedições originárias da Inglaterra que se dirigiam para todos os cantos do Novo Mundo à procura de riquezas e de rotas comerciais, mas que geraram muito conhecimento e aguçaram a curiosidade dos cientistas. Darwin veio como naturalista em uma expedição cujo objetivo era fazer um levantamento da costa da América do Sul e de parte do Pacífico. Para se ter noção do estágio da ciência daquela época, eram os zoólogos que estudavam os crânios dos índios e não os antropólogos. Para eles, índio era bicho mesmo. Darwin parou aqui no Brasil e não gostou. Não gostou do povo brasileiro. Gostou muito do gaúcho argentino. Quando mencionamos essas expedições, costumamos lembrar apenas de Galápagos, mas Darwin observou muita coisa interessante nessa viagem. Na Patagônia e no Uruguai, por exemplo, encontrou fósseis importantíssimos para a elaboração da Teoria da Seleção Natural. Principalmente fósseis de tatus gigantes. Em Galápagos, porém, deparou-se com aquele grande cenário intrigante: inúmeras ilhas, que apresentavam flora e fauna distintas e tinham origem independente no fundo do mar. Essa imagem ficou definitivamente ligada à obra de Darwin.

Drauzio - Como foi o trajeto de Darwin até a definição da Teoria da Seleção Natural?
Vanzolini - Darwin era um gênio, porque foi o primeiro a enxergar claramente algo de que ainda ninguém se apercebera. Lembre-se de que não havia a menor noção de genética naquele tempo. Seus cadernos de anotações são uma loucura! Ele não emitia nenhuma opinião sem ter mil documentações que a comprovassem. Por isso, levou tantos anos para construir sua teoria. Simultaneamente, porém, ia desenvolvendo um trabalho comum de zoólogo. Um trabalho sobre cracas, aqueles pequenos mariscos marinhos que se fixam nas rochas e objetos flutuantes. Ele percebeu, também, a importância dos animais domésticos como modelo de evolução, porque com eles a seleção é acelerada. A seleção na natureza é lenta, mas, quando um criador mata dez animais para selecionar um, está acelerando todo o processo. Apenas aqueles que permanecem vivos transmitem seus genes. Esse interesse levou Darwin a trocar extensa correspondência com criadores de pombo, tornando-se grande conhecedor de raças de pombo.