Introdução
Cientista avesso às aulas
Formou-se médico para ser zoólogo
Harvard: choque cultural
A paixão pelo evolucionismo
Zoólogo, um coletor itinerante
Diversidade animal e teoria dos refúgios
Darwin: a história de um biólogo
Darwin e Lamarck
Impacto da teoria darwiniana
Darwin e Wallace
Como surge uma teoria
Teoria da evolução
Desenvolvimento científico e Genética
Cientista de unhas sujas
Vida de compositor







Zoólogo, um coletor itinerante


DRAUZIO - Nos seus trabalhos de campo você viajou pelo Brasil todo?
VANZOLINI - A grande vantagem do zoólogo é essa, viajar pelo Brasil e pelo exterior sem gastar nada. No nosso trabalho, é importante que você veja os lugares. Por isso percorri 11.000km de rios na Amazônia.

DRAUZIO - Qual a finalidade dessas viagens?
VANZOLINI - Fazer coleção de bichos. Quando assumi o trabalho no Museu de Zoologia, a coleção de répteis e anfíbios tinha 1.200 exemplares. Hoje tem 220.000. É a quinta ou sexta do mundo. Muitos animais foram trazidos por alunos, outros foram comprados. Por exemplo, cheguei a comprar 10.000 répteis de um colecionador do Chile. Isso nos ajudou a possuir uma coleção de animais chilenos perfeita.

DRAUZIO - Em que lugares você esteve na Amazônia?
VANZOLINI - Visitei a Amazônia inteira, a peruana, a equatoriana e a brasileira, de barco. Parava o barco, descia, conversava com as pessoas do lugar e me oferecia para comprar bicho.

DRAUZIO - Comprar como?
VANZOLINI - Chegava e dizia ao povo: "Estou comprando lagartixa, sapinho, cobrinha!". O preço variava de uma região para outra. Essa era uma boa estratégia porque permitia ser bem recebido pela população local. Você compra honradamente, conversa com a turma que indica as picadas e acompanha a gente.

DRAUZIO - Vocês coletavam pessoalmente os animais?
VANZOLINI - Lógico, os melhores coletores somos nós, porque sabemos o que queremos e temos prática em coletar. É preciso saber pegar o animal sem machucá-lo.

DRAUZIO - Quantos exemplares você coletou?
VANZOLINI - Nunca me interessei em saber esse dado. Na verdade, não sou um bom coletor. Mesmo assim, talvez tenha conseguido uns 10.000 exemplares.

DRAUZIO - Dessas expedições participavam apenas zoólogos ou iam outras pessoas também?
VANZOLINI - O ideal seria uma expedição multidisciplinar, mas é muito difícil organizá-la. Então, ia sempre um grupo de zoólogos, um artista plástico, um economista, uma pessoa de interesse geral para dar-lhes uma chance de entrar na Amazônia e ver nosso trabalho.

DRAUZIO - A Amazônia foi a região que vocês mais freqüentaram?
VANZOLINI - Não, nós percorremos o Brasil inteiro. Eu descrevi os répteis das caatingas e para fazê-lo fiquei nove anos andando por elas. Conheço o nordeste como o fundo do meu bolso.