Vida de compositor
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Drauzio - E para a música, ainda
sobra algum tempo?
Vanzolini - Foi nos shows da Faculdade de Medicina que
comecei a fazer música. Parei faz uns 15 anos. Acabou a vontade, o combustível.
Houve uma época em que todas as noites ia ao Jogral, o bar mais importante
de São Paulo na época, e que pertencia ao Luís Carlos Paraná, um amigo muito
querido. Ali se tocava música de qualidade excepcional. Se o garçom faltava,
punha a jaquetinha dele e servia as mesas. Hoje, não tenho mais fôlego para
isso e o fato é que perdeu a graça. Com alguns de meus amigos, o Paulinho
Nogueira, por exemplo, ainda me encontro para bater papo e ouvir música.
Outros já foram embora e me sobrou a sensação terrível de perda pessoal.
Sem eles, diminuí, fiquei menor. Em relação à música, o entusiasmo desapareceu
em parte, porque não tenho mais para quem mostrá-la.
Drauzio - Mas muita gente ainda gostaria muito de ouvir
suas novas composições?
Vanzolini - Não seria a mesma coisa. Estariam faltando
os antigos e insubstituíveis companheiros.
Drauzio - Olhando para trás, para sua vida de músico
e de cientista, você é um homem feliz?
Vanzolini - Sou um homem em paz. Feliz? Não sei qual foi
o filósofo, se Sólon ou Thales, que disse só ser possível julgar se uma
pessoa foi feliz ou não, depois de sua morte, porque é imprescindível ter
uma morte feliz também.