Introdução
Cientista avesso às aulas
Formou-se médico para ser zoólogo
Harvard: choque cultural
A paixão pelo evolucionismo
Zoólogo, um coletor itinerante
Diversidade animal e teoria dos refúgios
Darwin: a história de um biólogo
Darwin e Lamarck
Impacto da teoria darwiniana
Darwin e Wallace
Como surge uma teoria
Teoria da evolução
Desenvolvimento científico e Genética
Cientista de unhas sujas
Vida de compositor







Vida de compositor


Drauzio - E para a música, ainda sobra algum tempo?
Vanzolini - Foi nos shows da Faculdade de Medicina que comecei a fazer música. Parei faz uns 15 anos. Acabou a vontade, o combustível. Houve uma época em que todas as noites ia ao Jogral, o bar mais importante de São Paulo na época, e que pertencia ao Luís Carlos Paraná, um amigo muito querido. Ali se tocava música de qualidade excepcional. Se o garçom faltava, punha a jaquetinha dele e servia as mesas. Hoje, não tenho mais fôlego para isso e o fato é que perdeu a graça. Com alguns de meus amigos, o Paulinho Nogueira, por exemplo, ainda me encontro para bater papo e ouvir música. Outros já foram embora e me sobrou a sensação terrível de perda pessoal. Sem eles, diminuí, fiquei menor. Em relação à música, o entusiasmo desapareceu em parte, porque não tenho mais para quem mostrá-la.

Drauzio - Mas muita gente ainda gostaria muito de ouvir suas novas composições?
Vanzolini - Não seria a mesma coisa. Estariam faltando os antigos e insubstituíveis companheiros.

Drauzio - Olhando para trás, para sua vida de músico e de cientista, você é um homem feliz?
Vanzolini - Sou um homem em paz. Feliz? Não sei qual foi o filósofo, se Sólon ou Thales, que disse só ser possível julgar se uma pessoa foi feliz ou não, depois de sua morte, porque é imprescindível ter uma morte feliz também.