Desenvolvimento científico e a Genética
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Drauzio - Professor, por ter acompanhado
o desenvolvimento científico em toda a segunda metade do século XX, para
onde você acha que a ciência caminha?
Vanzolini - A ciência biológica vai por um caminho só,
o da medicina, porque os estudos hoje se concentram na pesquisa de moléstias
genéticas. É a biotecnologia empenhada em identificar e curar doenças geneticamente
causadas. Todos os talentos se afunilam nessa direção e todo o dinheiro
está investido nisso. Um grande defeito do sistema capitalista é que a iniciativa
privada tem muito peso nessas pesquisas e as coisas ficam caras, ficam difíceis.
Cada vez que compro remédio, penso: "E se eu fosse pobre, como me arranjaria?".
Não se pode negar, porém, que se trata de uma aventura intelectual muito
bonita, nem sempre explorada honestamente. De qualquer forma, à medida que
o conhecimento avança, a expectativa de vida aumenta e, às vezes, me flagro
perguntando quando começar a não morrer mais ninguém, onde vamos pôr tanta
gente?
Drauzio - Do ponto de vista do cientista, essa revolução
da genética atual não torna mais interessante trabalhar com os genes, com
os mecanismos de criação da vida, do que com as conseqüências desses mecanismos?
Vanzolini - Todo tipo de problema pode ser bonito. Eu sou
apaixonado pelo meu trabalho e se você for lá me observar trabalhando, não
conseguirá entender por quê. No momento, fico horas no computador fazendo
a média das escamas de cascavel para ver se a distribuição geográfica desses
bichos relaciona-se, de alguma forma, com a evolução da espécie humana