Introdução
Cientista avesso às aulas
Formou-se médico para ser zoólogo
Harvard: choque cultural
A paixão pelo evolucionismo
Zoólogo, um coletor itinerante
Diversidade animal e teoria dos refúgios
Darwin: a história de um biólogo
Darwin e Lamarck
Impacto da teoria darwiniana
Darwin e Wallace
Como surge uma teoria
Teoria da evolução
Desenvolvimento científico e Genética
Cientista de unhas sujas
Vida de compositor







Cientista avesso às aulas


DRAUZIO - Professor, quando você percebeu essa vocação naturalista?
VANZOLINI
- Sempre gostei de bicho, mas não gostava das aulas. No ginásio, eu era muito rebelde. Aliás, para ser mais sincero, nos quatro anos de primário, cinco de ginásio, dois de pré-médico, seis de medicina e três de Harvard, nunca assisti às aulas com gosto. Meu pai ficava apavorado e me subornava. Então, me prometeu uma bicicleta de presente caso eu entrasse no ginásio numa boa colocação. Ganhei a bicicleta e o primeiro passeio que fiz foi ao Instituto Butantã. Eu tinha dez anos de idade e me apaixonei. Nessa visita ao Butantã, entendi o que queria na vida. Com catorze anos, quando estava terminando o ginásio, arranjei um estágio no Instituto Biológico. Naquele tempo, havia maior facilidade para os jovens estagiarem em laboratórios. Eles recebiam a gente com boa vontade, sem obrigação nenhuma de ambas as partes. Lá comecei a me profissionalizar como zoólogo aos catorze anos de idade.

DRAUZIO - O que você fazia no laboratório do Instituto Biológico? VANZOLINI - Eu era uma espécie de segundo auxiliar de cachorro. Fazia o que me mandassem, mas o que mais me atraía eram os trabalhos sobre a evolução.

DRAUZIO - Como foi esse seu estágio no Instituto Biológico? Durou quanto tempo?
VANZOLINI - Como aprendizagem de zoologia foi muito ruim. A zoologia que se fazia lá era derivada da de Manguinhos, do Instituto Oswaldo Cruz, a pior zoologia do mundo. Quando fui para Harvard, nos Estados Unidos, me achando o fino, tive um choque cultural tão violento ao descobrir o que era a zoologia moderna, que quase desisti do projeto.

DRAUZIO - Passou vergonha lá?
VANZOLINI - Não, vergonha não passei, porque nunca fui muito exibido, mas experimentei sofrimentos morais intensos por me achar tão bom e, na verdade, estar tão mal preparado.