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Diabetes e doenças do coração - Cardiologia II Drauzio – Qual o peso do diabetes nos problemas cardíacos? Jatene – Diabetes é um fator de risco importante que precisa ser controlado. Antes do advento da insulina, era um problema de difícil controle. Depois, com o aparecimento de drogas que substituem a insulina principalmente no diabetes tipo II, a coisa simplificou mais ainda, e os aparelhos que medem o nível de açúcar em pequenas gotas de sangue também facilitam monitorar a doença. O diabético precisa de muita disciplina, em especial, disciplina na alimentação. Deve respeitar horários e abster-se de certos alimentos. Atualmente, os endocrinologistas chamam a atenção para o nível de açúcar duas horas depois da refeição. Se ele se mantiver alto, é preciso ajustar a medicação. Drauzio – Que diferença o senhor nota quando abre o coração de um indivíduo diabético e de um não diabético? Jatene – O problema do diabetes é a maneira como compromete as artérias. A aterosclerose compromete-as em suas porções proximais. O que quer dizer isso? A artéria coronária sai da aorta e vai irrigar o coração. A lesão proximal ocorre antes que o tronco da aorta se ramifique. Já o diabetes compromete suas porções distais o que dificulta o tratamento cirúrgico, impedindo que muitos doentes sejam beneficiados pela cirurgia ou pela hemodinâmica intervencionista. Entretanto, há diabéticos que não têm essa lesão difusa distal. A lesão é proximal. Por isso, cada caso deve ser avaliado individualmente. A medicina curativa tem esse aspecto: é complicada e cara. Se a alta tecnologia aprimorou o diagnóstico, em compensação, encareceu o atendimento. Drauzio – O conceito popular de que o infarto é fulminante em jovens e menos grave nas pessoas mais velhas é verdadeiro? Jatene – Isso é fácil de entender. Como se trata de uma doença degenerativa e progressiva, quanto mais cedo aparecer, mais grave será. Drauzio – Quem não apresenta esses fatores de risco pode ficar tranqüilo? Jatene – É importante dizer que a presença desses fatores de risco não significa que a pessoa vá ter necessariamente a doença coronariana, nem que a pessoa que não apresente nenhum deles não terá a doença. Não conhecemos a causa da doença coronária. Só sabemos que alguns fatores aumentam sua incidência e que, controlando esses fatores, o risco é muito menor e a pessoa ganha tempo de vida. |
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