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Doenças congênitas do coração - Cardiologia II Drauzio – Em que consistem as doenças congênitas? Jatene – No útero materno, o pulmão da criança não funciona. Nessa fase, para desenvolver as cavidades esquerdas do coração existem duas comunicações principais: a comunicação interatrial entre o lado direito e esquerdo e o canal arterial entre a aorta e a artéria pulmonar. Quando a criança nasce e respira, o mecanismo de válvula no septo atrial fecha a comunicação interatrial, porque a pressão do átrio esquerdo fica maior. O pulmão começa a funcionar e o canal arterial entra em espasmo, também se fecha e separa os dois lados do coração. As doenças congênitas são defeitos que ocorrem na vida intra-uterina. A criança pode nascer, por exemplo, com comunicação interatrial ou intraventricular, com falta de uma ou mais válvulas ou com um lado do coração hipodesenvolvido. São as chamadas cardiopatias congênitas que, muitas vezes, se exteriorizam no nascimento e que hoje podem ser detectadas ainda no útero da mãe pela ecocardiografia fetal. Alguns defeitos – e isso as famílias não conseguem entender – não dão demonstrações que permitam o diagnóstico na primeira ou segunda semana de vida. A criança sai bem da maternidade e um mês depois é diagnosticada uma comunicação interventricular. Outras vezes, nasce roxa, cianótica, sinal de que a quantidade necessária de sangue não está sendo oxigenada no pulmão e vai diretamente para a aorta. Essas doenças representam subespecialidades - a cardiologia pediátrica e a cirurgia cardíaca pediátrica – e há profissionais que só tratam dessas deformidades. Existe ainda um grupo de pessoas que nasce com o coração normal, isto é, com quatro cavidades, quatro válvulas, aorta saindo do ventrículo esquerdo, a artéria pulmonar saindo do ventrículo direito e lançando sangue no pulmão. São pessoas que adquirem uma doença ao longo da vida como a febre reumática causada por amidalite, uma infecção estreptocócica que compromete as válvulas e traz conseqüências para a circulação, com estase do pulmão. Drauzio – Muitas mães não gostam de dar antibióticos para as crianças com amidalite, que podem desenvolver problemas valvulares sérios. Como o senhor orienta esses casos? Jatene – Claro que essas crianças devem ser medicadas. Felizmente, o surgimento da penicilina mudou as características da doença reumática. Na década de 1950, o número de lesões valvares por febre reumática era alto no mundo inteiro. Depois do aparecimento da penicilina, houve queda na incidência dessa patologia em lugares como a Europa e os Estados Unidos, mas na África continua elevadíssima. |
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