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Enfisema Pulmonar
Recomendações
Pulmão
 
Entrevistas:
Ronaldo Kairalla
Médico pneumologista, professor da Universidade São Paulo.
 
Riad Younes
Médico cirurgião, chefe do Departamento de Cirurgia Torácica do Hospital do Câncer ACCamargo de São Paulo e professor na USP e na UNIP.
 



O pulmão
 
Por Riad Younes

O pulmão desempenha a nobre função de garantir oxigênio para a sobrevivência de todo o organismo. Além disso, seus mecanismos de defesa bastante desenvolvidos oferecem proteção a si mesmo, à traquéia e aos brônquios. Há situações que exigem, por exemplo, a retirada de um dos pulmões. Se o paciente nunca fumou, a recuperação é excelente e, em pouco tempo, estará apto para pedalar, correr, nadar, trabalhar, levar vida normal, enfim.
 
Órgão maleável, com considerável potencial de adaptação e grandes reservas, custa a dar sinais de padecimento. Tanto é verdade, que os fumantes queimam o pulmão durante décadas e nada sentem porque se valem dessas reservas. Quando os sintomas aparecem, boa parte do pulmão está irremediavelmente comprometida.
 
É pena que suas características morfológicas e funcionais não bastem para impedir o surgimento de inúmeras doenças, desde bronquite até câncer, para as quais, entretanto, há possibilidade de tratamento e, o melhor, de prevenção.
 
Realmente há quem diga que o pulmão não evoluiu o necessário ao longo dos tempos, pois dois ou três minutos sem respirar podem ser fatais. Não concordo com essa afirmação. Creio que o pulmão desenvolveu-se mais do que o necessário para suprir de oxigênio todo o organismo. Talvez por essa a razão tenha se tornado um órgão grande e duplo. O cérebro, por exemplo, morre se a oxigenação for suspensa por poucos minutos. Morrendo o cérebro, a falência de outros órgãos é inevitável. Nesse caso, se houve inadaptação, foi a do cérebro que não evoluiu a contento. Observe o que ocorre nos transplantes cardíacos: o coração doente é retirado do corpo e permanece batendo durante 20, 30 minutos. Já o cérebro, alguns minutos fora do corpo, parece derreter. A célula nervosa é tão sensível que por muito pouco a pessoa fica tonta, perde a memória, a concentração , enxerga mal. É óbvio que o coração sofre com a falta de oxigênio, mas é mais resistente a ela que o cérebro.