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Dengue Dengue A mulher estranhou que ele lhe tivesse passado a direção do carro, sentado no banco dos passageiros e cochilado durante toda a viagem de volta na quarta-feira de cinzas. Atribuiu o comportamento inusitado às extravagâncias a que se entregara naqueles dias de carnaval no Rio de Janeiro. Em casa, ele se queixou de dor de cabeça, especialmente forte atrás do globo ocular, e no corpo. No dia seguinte, acordou com febre alta, inapetente e prostrado. A garganta incomodava e o nariz dava sinais de irritação. Tinha apanhado uma gripe de quebrar os ossos, parecida com outras que já tinha tido, mais violenta, porém. Desmarcou os compromissos agendados, tomou o antitérmico de sempre, um comprimido de ácido acetilsalicílico e meteu-se na cama. Mais tarde, quando foi tomar um banho quase frio para ajudar a baixar a temperatura, assustou-se com as manchas vermelhas no corpo que se espalhavam pelas pernas e braços. Livres delas estavam, apenas, as palmas das mãos e as plantas dos pés. Era só o que lhe faltava, pensou, ter sarampo nessa idade. Telefonou para a mãe. Não, ele não tinha tido sarampo quando pequeno, porque tinha tomado vacina; portanto, era pouco provável que se tratasse de sarampo. O melhor era consultar um médico. A mulher não perdeu a deixa. Enfiou-o no carro e levou-o ao hospital. A primeira suspeita foi que estivesse com dengue, mas era preciso comprová-la com exames laboratoriais, cujos resultados eliminaram qualquer dúvida. Era mesmo dengue e ele havia tomado, por conta própria, o único medicamento contra-indicado para aliviar os sintomas, o AAS, que interfere na coagulação do sangue e poderia ter provocado complicações indesejáveis. |
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