|
|
|
Entrevistas: Professor de Pneumologia da Faculdade de Medicina da USP e médico do Hospital do Câncer e do Hospital Sírio-Libanês. Arquivo: |
||||||||
|
|
|
Asma
Joana, 25, é filha única de um casal sem antecedentes de alergias. Com 4 anos, foi encaminhada ao pronto-socorro com falta de ar, febre e chiado no peito. Feito o diagnóstico de bronquite, fez uma inalação e lhe foi receitado um xarope para tomar em casa.Essa foi a primeira de uma série longa de crises semelhantes que se repetiram no decorrer dos 20 anos seguintes. "Era assustador acordar de madrugada, tendo de fazer um esforço enorme para conseguir o mínimo de ar", conta. Sempre muito ativa, gostava de jogar futebol na escola e muitas vezes era obrigada a interromper a prática por causa da falta de ar. Os pais, assustados a cada início de crise, procuraram identificar os fatores ambientais que as disparavam. Perceberam que a casa em que moravam era muito úmida e providenciaram a mudança para outra, mais seca, o que reduziu um pouco a freqüência das crises. Além disso, notaram que o contato com tintas, removedores, fumaça de cigarro e pó agravavam o quadro. As crises se repetiam com intervalos variáveis. Às vezes, mais fracas, desapareciam no mesmo dia, com a ajuda de exercícios respiratórios. Infelizmente, porém, a maioria das crises obrigava a família inteira a sair da cama no meio da noite, pegar o carro e procurar a farmácia de plantão mais próxima para fazer uma inalação. Nos casos mais preocupantes, Joana tinha de se submeter a injeções intra-musculares de corticóides para voltar a respirar normalmente, graças às propriedades broncodilatadoras do medicamento. Ela ouviu por muito tempo que tinha bronquite e que a doença era incurável. Por alguns anos, no inicio da adolescência, deixou de acreditar na medicina alopática tradicional e resolveu buscar a solução para seu problema na homeopatia e em tratamentos alternativos. "Cheguei a fazer um tratamento em que ficava deitada por meia hora de bruços e de frente para uma máquina que projetava raios ultravioleta. Na época, achava que deveria tentar de tudo". Porém, nem a ela nem à família ocorreu questionar o diagnóstico reiterado de bronquite. Talvez, se o tivessem feito, Joana teria sofrido por menos tempo dos sintomas que tanto atrapalhavam sua vida. O diagnóstico feito na infância estava errado. Há dois anos Joana descobriu que nunca teve bronquite. Joana tem asma. A confusão é relativamente comum, explica o médico pneumologista e professor da USP, Daniel Dehenzelin. Asma e bronquite tem alguns sintomas idênticos, principalmente o estreitamento dos brônquios que provoca falta de ar, chiado e opressão no peito. Mas existe uma diferença fundamental entre as duas doenças que pode ser útil a pacientes e a seus pais, no caso das crianças: "Se o mal-estar for passageiro e, vencida a crise, a pessoa volta absolutamente ao normal, é asma. Já a bronquite se distingue pela tosse produtiva crônica, com catarro, por mais de três meses num ano, durante dois anos consecutivos", explica o dr Dehenzelin. A confusão pode levar ao tratamento equivocado da doença e retardar o desaparecimento do mal-estar. Atenção ao diagnóstico! A asma é uma inflamação crônica dos brônquios, canais que partem da traquéia e se ramificam como uma árvore para levar ar aos pulmões. Neles ocorre a troca de oxigênio por gás carbônico. Na crise asmática, os brônquios reagem de forma exagerada a estímulos que em outras pessoas provocariam no máximo uma pequena tosse. Durante a crise, os brônquios contraem-se e a respiração vira um sofrimento. O agente que detona a crise asmática é chamado de "gatilho". Os mais comuns são:
Pesquisas publicadas nos últimos 5 anos demonstram incidência mais alta de asma entre filhos únicos que não freqüentam creches ou escola. Crianças com muitos irmãos ou que passam o dia com outras, adquirem múltiplas infecções respiratórias por germes banais (gripes, resfriados, etc.). Essas pequenas agressões infecciosas provocam sucessivas respostas imunológicas essenciais para o desenvolvimento harmônico da imunidade. Dehenzelin afirma ainda que cada organismo reage aos gatilhos de forma específica. Assim, quem tem asma por pó, pode tolerar sem problemas outros gatilhos citados. Procure um médico em quem você confie e siga sua orientação. Atenção: A asma não controlada pode causar complicações graves e até morte por parada cardíaca. Na ocorrência de febre durante as crises, tosse persistente, respiração difícil, falta de ar, batimento das asas do nariz e dor no peito procure imediatamente assistência médica. |
||||||||