|
|
|
|
||||||||
|
|
|
Violência contra crianças Drauzio – E em relação às crianças pequenas? J.Greve – Em relação às crianças pequenas, evidentemente o número é menor, mas mesmo assim é assustador. É enorme a quantidade de crianças atingidas por bala perdida, por violência doméstica ou agressão interpessoal, porque elas moram em ambientes onde são comuns os acertos de conta entre gangues comprometidas com o tráfico de drogas. Mais grave, ainda, é o caso de crianças de 10, 12 anos vítimas de atos violentos não por acaso, mas porque estavam pessoalmente envolvidas com o processo de violência desde muito cedo. Não foi uma bala perdida que as atingiu. Elas faziam parte do grupo envolvido na confusão. Drauzio – No caso específico da violência doméstica contra crianças, sua impressão é que o número de casos está aumentando? J.Greve – Não conheço estatística segura sobre o assunto, mas tenho a impressão de que há um aumento significativo desses casos. Aparentemente, o fato de ter crescido o número de separações e existirem famílias compostas por pais e mães que não são os de sangue tem pesado no universo da violência doméstica contra criança. Na verdade, alguns estudos mostram dados alarmantes e crescentes em relação a esse tipo de violência. Apesar de nas classes sociais mais baixas os casos serem mais expostos, o problema não é exclusivo dessa camada social, só que nas outras ocorre de forma mais camuflada. Drauzio –Com que ferimentos essas crianças costumam chegar ao pronto-socorro? J.Greve – As crianças com síndrome de espancamento chegam geralmente com lesões ósseas, com fraturas múltiplas. Percebe-se, ainda, a existência de calos ósseos indicativos de fraturas anteriores em fase de cicatrização. Em relação à violência doméstica, são mais lesões musculoesqueléticas do que lesões neurológicas. Sob o ponto de vista físico, essas fraturas costumam não deixar seqüelas, embora as seqüelas psicológicas, sabe-se lá quais serão. Traumas de crânio são mais raros em crianças espancadas, mas ocorrem quando elas são arremessadas pelos adultos. Drauzio – Quem costuma ser o autor desse tipo de violência? J.Greve – Os familiares mais próximos. Drauzio – Mais o pai ou mais a mãe? J.Greve – Parece que é mais o pai, geralmente um indivíduo mais violento e usuário de drogas, que traz para casa os problemas da rua. Esses dados, porém, merecem estudo mais aprofundado, pois acho que muitos casos de violência contra a criança estão relacionados à figura materna. |
||||||||