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Dra. Júlia Greve é médica fisiatra. Trabalha no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo onde recebe vítimas de atos violentos para serem tratadas e submetidas a longo processo de reabilitação.

Epidemia democrática e abrangente

DrauzioA que classe social pertencem esses jovens?
J.Greve – Na verdade, a epidemia é abrangente, mas eu diria que os indivíduos que moram nas periferias das grandes cidades são os mais expostos. Estudos da Organização Mundial de Saúde e de outros órgãos que estudam a violência mostram nitidamente que a maioria das vítimas é constituída por jovens que residem em favelas ou na periferia, locais onde se registra o maior índice de violência interpessoal.
No Hospital das Clínicas, provavelmente por ser um hospital público, atendemos mais pessoas de baixa renda, mas isso não significa que a violência só acometa essa classe socioeconômica. É uma epidemia democrática que atinge ricos e pobres. Se as pessoas verificarem em suas famílias quantos já sofreram alguma forma de violência, um acidente de trânsito, um assalto ou uma agressão física séria, irão perceber que o círculo está se fechando bem mais perto do que poderiam supor.