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Violência urbana
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Dra. Júlia Greve é médica fisiatra. Trabalha no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo onde recebe vítimas de atos violentos para serem tratadas e submetidas a longo processo de reabilitação.

Conseqüencias médicas da violência urbana

Discute-se muito sobre a possibilidade de algumas pessoas estarem mais sujeitas a desenvolver comportamentos violentos. O assunto é polêmico. Sob o ponto de vista estritamente científico, porém, acredita-se haver três grupos de crianças que correm risco maior de se tornarem violentas no futuro:
a) crianças que sofreram abusos ou que não receberam carinho dos pais na primeira infância;
b) adolescentes criados sem limites nem princípios morais e éticos;
c) adolescentes que conviveram e/ou convivem com adolescentes e adultos violentos.
Tomando como referência essas três condições e o número de crianças brasileiras expostas a tais situações de risco, é de surpreender que os índices de criminalidade não sejam mais altos ainda, embora eles se confundam com os de uma guerrilha urbana e a população viva aos sobressaltos, com medo.
Atos de violência chocam no momento que acontecem. Depois, caem no esquecimento ou são substituídos por outras ocorrências trágicas e raramente se ouve falar a respeito das conseqüências médicas e das seqüelas, muitas vezes irreversíveis, que acometem as vítimas dessa epidemia contagiosa que se alastra principalmente nos grandes centros urbanos.