BUSCA

 


Vacinação infantil
Primeiras vacinas
Esquema de vacinação
Outras vacinas importantes
Hora do reforço
Vacinas fora do esquema
Vacina contra catapora
Proteção paralela
Grupos antivacinas


Entrevistas:
Vacinação de adultos





Gabriel Oselka é médico, professor de Pediatria na Universidade de São Paulo e presidente da Comissão de Imunizações da Secretária de Saúde do Estado de São Paulo.


Grupos antivacinas

DrauzioA primeira vez que li que ainda hoje existem grupos contrários à utilização de vacinas, fiquei surpreso. Era como ter encontrado pessoas que são contra a utilização da luz elétrica.
Gabriel Oselka – Felizmente, no Brasil, esses grupos são pouco ativos, mas existem alguns países, particularmente na Europa, em que a atuação dos grupos antivacinas tem representado um problema sério, não para os médicos nem para o serviço de saúde que prescrevem a vacina, mas para as crianças que deixam de ser vacinadas por falsas noções que esses grupos defendem. O exemplo mais preocupante que se tem no momento é o do Reino Unido, onde se espalhou o conceito de que a vacina combinada, aquela contra sarampo, caxumba e rubéola, seria a causa de autismo, uma doença grave e dramática. Depois que essa afirmação, destituída de qualquer base científica, foi divulgada pela imprensa leiga e até por alguns médicos que entraram na confusão, surgiram inúmeros trabalhos de grande extensão, realizados em diferentes partes do mundo, mostrando categoricamente que é uma afirmação falsa. Entretanto, nos últimos cinco ou seis anos, as coberturas vacinais, que eram elevadíssimas no Reino Unido, caíram muito e estão aumentando os casos de sarampo. As coisas chegaram a tal ponto que o governo se viu obrigado a adotar medidas agressivas para inverter a situação, até agora com sucesso parcial. Dizer que as vacinas são destituídas de qualquer risco seria uma mentira, uma temeridade. Não há remédio que seja absolutamente inócuo. No entanto, creio que as vacinas utilizadas rotineiramente nos programas de vacinação incluem-se entre os produtos médicos de maior segurança.

DrauzioÉ sempre importante repetir que as vacinas são extremamente seguras.
Gabriel Oselka – São extremamente seguras e é muito raro provocarem reações graves. Na verdade, hoje estamos vivendo um paradoxo. As vacinas são de certa forma vítimas de seu próprio sucesso porque as pessoas acabam perdendo a memória do que as doenças representavam antes de serem controladas pela vacinação e saem por aí dizendo: por que vou tomar vacina contra sarampo, por exemplo, já que a doença nem mais existe? Se todos pensarem assim, o sarampo volta e repete o estrago que fazia. E não é só ele. Voltam a tosse comprida e o crupe que eram causa de morte em crianças, mortes que foram evitadas porque se controlou a incidência dessas enfermidades exclusivamente com a utilização das vacinas.

DrauzioNa minha infância, quando o filho acordava com uma febrícula, queixando-se de dores musculares, as mães ficavam apavoradas, temendo que a criança estivesse com poliomelite. Felizmente, essa neurose desapareceu depois do programa de vacinação em massa contra a paralisia infantil.
Gabriel Oselka – Talvez a paralisia infantil seja a única doença que ainda conserva uma memória coletiva das conseqüências que provocava porque as campanhas de vacinação ainda utilizam as imagens dramáticas de crianças que tiveram poliomelite, mas os jovens provavelmente não tenham a dimensão do que o problema representava. Até o começo da vacinação em massa contra a poliomelite em 1980, tínhamos no Brasil mais de mil casos notificados da doença o que sugere existir um número maior de casos não notificados pelo país afora. A utilização da vacina em larga escala nos dias nacionais de vacinação e nos programas rotineiros fez com que a partir de 1889 não houvesse um caso sequer de poliomelite, porque a doença foi eliminada do Brasil graças à aplicação da vacina.