Esquema de vacinação

Drauzio – Quais são as outras vacinas que a criança deve tomar nesse começo de vida?
Gabriel Oselka – A seqüência do esquema de vacinação envolve, aos dois meses de idade, a vacina tetravalente, que consta da vacina tríplice contra difteria (ou crupe), coqueluche (ou tosse comprida) e tétano e que já é aplicada há décadas no Brasil, e a vacina contra a bactéria chamada Haemophilus influenzae, pouco conhecida pela população e mesmo pelos médicos, mas que causa doenças graves, como meningite e pneumonia, em criança pequena. Essa vacina foi acrescentada recentemente ao programa de vacinação e é aplicada junto com a tríplice numa única injeção. Geralmente nesse mesmo dia, se faz a vacina Sabin contra a poliomelite, a famosa gotinha dada por boca.
A proteção que essas vacinas oferecem não se completa na primeira dose. São necessárias doses adicionais. A vacina tríplice requer mais duas doses no primeiro ano de vida, aos quatro e aos seis meses, um reforço quando a criança tem um ano e meio e outro por volta dos cinco anos.
Quanto à vacina contra o Haemophilus influenzae, o programa brasileiro prevê apenas a aplicação de três doses: a primeira aos dois meses, a segunda aos quatro e a terceira aos seis meses.
Em relação à vacina oral contra a poliomelite, ela segue o mesmo esquema da tríplice: a segunda dose aos quatro meses, a terceira aos seis meses, um reforço com um ano e meio e último aos 5, 6 anos.
Drauzio – Os pais das crianças precisam ter esse cronograma na cabeça?
Gabriel Oselka – Não precisam, mesmo porque o esquema não se limita a isso. Há outras vacinas. O serviço de saúde conta com diferentes mecanismos para lembrar as pessoas de que as vacinas têm uma seqüência a ser obedecida. Apesar disso, às vezes, a data prevista para a vacinação é perdida. Nesse caso, é importante frisar que as doses anteriores não perdem a validade. Por exemplo: foi dada a dose inicial das vacinas tetravalente e da Sabin aos dois meses de idade. A segunda dose deveria ter sido dada aos quatro meses, mas, por uma razão qualquer, a mãe só pôde levar a criança ao posto quando tinha oito meses. Nesse momento, ela tomará a segunda dose e será marcada a data para aplicar a terceira. Um atraso pequeno não interfere no processo. Quando a criança completar o número de doses recomendado, a imunização provavelmente será tão boa quanto seria se os intervalos entre uma aplicação e outra tivessem sido respeitados.