Primeiras vacinas

Drauzio – O Programa Nacional de Imunizações recomenda que a vacinação comece muito cedo. As primeiras vacinas devem ser dadas ainda na maternidade?
Gabriel Oselka – A ênfase do Programa Nacional de Imunizações é exatamente essa, que a vacinação comece na maternidade com duas vacinas: a BCG, vacina contra a tuberculose, e a vacina contra hepatite B.
São vacinas injetáveis. A BCG é aplicada por via intradérmica e a vacina contra hepatite, no músculo da coxa do bebê.
Drauzio – Todas as crianças brasileiras recebem essas duas vacinas?
Gabriel Oselka – Eu diria, sem receio de errar, que o sucesso alcançado pelo Programa Nacional de Imunizações se deve, entre outras razões, ao número elevadíssimo de coberturas vacinais. Cobertura vacinal significa a porcentagem de crianças que efetivamente recebe as vacinas. No caso específico da BCG e da vacina contra a hepatite B, bem mais de 90% das crianças são vacinadas contra essas doenças no Brasil.
Drauzio – E as crianças que nascem em casa nesses rincões do Brasil, como se garante que serão vacinadas?
Gabriel Oselka – Felizmente, esses casos têm se reduzido substancialmente ao longo dos anos. Quando a vacina não é feita na maternidade, a recomendação é que a criança seja levada o mais depressa possível a um centro de vacinação para receber as doses iniciais e que o programa seqüencial de vacinação seja mantido.
Drauzio – Quando a mãe sai da maternidade com o bebê, pode estar tranqüila porque ele já tomou essas duas vacinas?
Gabriel Oselka – Infelizmente não é tão simples assim, porque nem todas as maternidades adotam a conduta de vacinação nos primeiros dias de vida da criança. Eu diria que esse é um objetivo de médio prazo para o Ministério da Saúde. Por isso, cabe às mães a iniciativa de perguntar se a criança tomou ou não as duas vacinas. Embora essa informação devesse fazer parte da rotina dos hospitais, nem sempre ela é fornecida.
Portanto, repito: se a criança não tomou as vacinas na maternidade, deve ser levada com uma ou duas semanas de vida a um posto de saúde para que o programa de vacinação seja iniciado logo.
Drauzio – Vamos admitir que a criança tenha tomado as vacinas contra a tuberculose (BCG) e contra a hepatite B na maternidade. Quando deve tomar as doses de reforço?
Gabriel Oselka – No Estado de São Paulo, BCG é dado em dose única, mas em muitos outros estados recomenda-se a aplicação de uma segunda dose na idade escolar, ou seja, a partir dos 6 ou 7 anos até os 10 anos de idade.
Em relação à vacina contra a hepatite B, são necessárias mais duas doses para garantir o efeito desejado: a segunda aos dois meses e a terceira aos seis meses. Esse esquema de três doses tem validade por toda a vida, isto é, a proteção da vacina contra hepatite B é definitiva.