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Vasectomia
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Realidade brasileira
Planos de saúde não cobrem a vasectomia





Sami Arap é médico e professor de urologia na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Trabalha no Hospital das Clínicas e no Hospital Sírio-Libanês.

Realidade brasileira

DrauzioVocê disse que nos Estados Unidos, ao redor de 6% dos homens que fizeram vasectomia se arrependem e querem reverter o processo. O que indica a casuística a esse respeito no Brasil?
S.Arap – No Brasil, não existem dados a respeito. Nos Estados Unidos, onde a incidência de divórcios talvez seja um pouco mais elevada do que em nosso país, de 6% a 8% dos homens querem fazer a reversão da vasectomia. Pessoalmente, acredito que nossos números sejam parecidos com os dos americanos, porque a moral das duas sociedades é muito semelhante. As coisas começam por lá, mas 20 ou 30 anos depois, somos todos iguais. Não existe diferença significativa nos comportamentos.

Drauzio Particularmente, acho que um dos problemas mais graves do Brasil é a explosão demográfica nas classes sociais menos favorecidas que têm, em média, cinco filhos por casal. Que acesso o homem pobre tem à vasectomia?
S.Arap – Até bem pouco tempo, era uma situação complicada porque oficial e legalmente a vasectomia não era bem aceita. De uns anos para cá, isso mudou. Podemos fazer essa cirurgia nos hospitais públicos. No entanto, é preciso pensar que o Hospital da Clínicas é um hospital de referência, terciário para casos complicados, e não deveria ser utilizado para intervenções simples como a vasectomia. Mas nós estamos fazendo uma média de 30 vasectomias por mês no HC, primeiro porque não havia sentido em encaminhar nossos pacientes para outro lugar e depois porque esses casos servem de base para alguns estudos científicos. Em outros hospitais públicos não sei como isso funciona, mas acho de extrema importância que as autoridades da saúde estimulem a realização da vasectomia em larga escala, porque o problema social causado pela explosão demográfica existe. Os casais têm mais filhos do que podem cuidar e muitas crianças acabam nas ruas, vivendo na marginalidade, mal alimentadas e sem direito à educação.
Além disso, é extremamente importante informar a população das vantagens desse método para o controle da natalidade, desfazer os preconceitos machistas que o cercam e divulgar os lugares onde o serviço está à disposição.