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Vasectomia
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Realidade brasileira
Planos de saúde não cobrem a vasectomia





Sami Arap é médico e professor de urologia na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Trabalha no Hospital das Clínicas e no Hospital Sírio-Libanês.


Reversão da vasectomia

DrauzioQuando se pode fazer a reversão da vasectomia?
S.Arap – A reversão da vasectomia é um ato tecnicamente viável e possível. Se a reversão for feita três ou quatro anos depois da vasectomia, em 90% dos casos o espermograma é bom e, em 70% existe a chance de a mulher engravidar. À medida que o tempo passa, a hiperpressão no epidídimo vai gerando fibrose e surgem obstruções não no lugar em que foi feita a ligadura, mas abaixo desse ponto, o que complica a cirurgia. Embora o índice de repermeabilização seja sempre o mesmo, os espermatozóides não aparecem. Então, em vez de tirar aquele segmento e ligar os dois ductos deferentes, é preciso levá-los ao epidídimo num ponto proximal a esses que apresentam fibrose, fazendo uma conexão que deixa fora a área obstruída.

DrauzioQuais são as exigências dessa cirurgia delicada?
S.Arap – É tão delicada que exige um microscópio capaz de aumentar entre 20 e 25 vezes, porque o tubo epididimálio é minúsculo. É um procedimento caro e complicado que só deve ser feito por mãos de gente bem treinada.

Drauzio Que esperança pode ter um homem de reverter a vasectomia feita dez anos antes?
S.Arap – Existem tabelas mostrando que ele pode reverter o processo e qual a expectativa em relação aos resultados. Reverter significa repermeabilizar os deferentes e, eventualmente, obter espermatozóides. O índice de gravidez, porém, cai com o tempo. Dez anos depois de feita a vasectomia, a probabilidade de gravidez oscila entre 30% e 40%.
Entretanto, o casal pode contar também com métodos modernos e avançados de reprodução assistida como bebês de proveta, fertilização in vitro, etc., pois é possível retirar um espermatozóide do testículo, introduzi-lo num óvulo colhido da esposa, criá-los em estufa, implantá-los no útero da mulher e obter a gravidez desejada. No entanto, se houver a possibilidade de reverter a vasectomia, sempre vale a pena tentar visando à produção permanente de espermatozóides e a dispensa da biópsia do testículo.

DrauzioComo o espermatozóide é retirado do testículo?
S.Arap – Pode-se retirá-lo por punção ou durante uma biópsia testicular, método que permite a gravidez em 90% dos casais inférteis, inclusive quando o homem tem azoospermia, isto é, ausência total de espermatozóides no sêmen. É um procedimento caro que deve ser repetido a cada filho e que envolve a mulher porque sua ovulação precisa ser induzida e o ovário puncionado para captar o óvulo. Depois disso, seguem-se os passos da técnica do bebê de proveta.