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Sami Arap é médico e professor de urologia na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Trabalha no Hospital das Clínicas e no Hospital Sírio-Libanês.

Reação masculina diante da vasectomia

Drauzio Como você interpreta esse medo do homem em relação à vasectomia?
S.Arap – O homem tem medo de qualquer coisa que o leve à sala de cirurgia, ainda que saiba que se trata de uma pequena cirurgia com anestesia local. Homens e mulheres são muito diferentes nesse aspecto. Se ela se interessa por algum resultado, pergunta como faz para obtê-lo e submete-se ao procedimento indicado. O homem, ao contrário. Quer limitar o número dos filhos, consulta o médico, diz que vai pensar no assunto e chuta o problema para frente.

DrauzioQuando ele aparece no consultório, você já percebe se vai voltar ou não?
S.Arap – Eles relutam, mas acabam voltando, porque se trata de um problema importante na vida do casal que já possui dois ou três filhos e, às vezes, até mais. Camisinha, eles não gostam de usar. Pular fora na hora do orgasmo é desagradável. A mulher pressiona e fala que vai fazer ligadura de trompas, se ele não se decidir. Ele acaba cedendo, mas teme que a vasectomia implique um pouco na diminuição de sua virilidade. Compara-a a uma espécie de castração. Não poder ter mais filhos faz com que se sinta diminuído em suas funções.
Os homens são complicados na área sexual. No entanto, acabam se rendendo à pressão externa. Os amigos, que já passaram pela experiência, insistem que a vida sexual do casal melhora e que, feita a cirurgia, pode-se namorar sem grandes preocupações. De fato, enquanto não se dispõem a fazer a vasectomia, é um drama! Eles não conseguem conduzir a vida sexual de maneira tranqüila e agradável.