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Vacinação contra tétano Drauzio – Muita gente pensa que vacinando a criança ela estará protegida enquanto viver. Isso não é verdade. Há uma série de vacinas que precisam tomadas ou repetidas durante a vida toda. Mendonça – Esse conceito precisa ser difundido intensamente. Vacina não é uma ação exclusiva da pediatria. Adolescente, adulto jovem e mesmo o idoso precisam receber vacinas. Algumas são exclusivas de determinadas faixas etárias. Outras dão seqüência à vacinação iniciada na infância e exigem reforços por toda a vida. Um exemplo é a vacina contra o tétano. Mesmo que a criança tenha sido vacinada quando pequena, deve repetir a aplicação a cada dez anos. Nesse sentido, há um descuido muito grande na população adulta em geral, e no idoso em particular, que normalmente nunca tomou essa vacina. Drauzio – Nas cidades grandes é grande o desconhecimento em relação ao tétano. Ele ainda é uma doença freqüente? Mendonça –Atualmente, no Brasil, o tétano é uma doença pouco incidente, mas não se justifica o descuido com as vacinas, porque se trata de uma enfermidade grave com risco de vida para o paciente. Numa estimativa grosseira, pois é difícil precisar o número exato, excluindo os ferimentos de guerra que são os de maior risco, um em cada 50.000 ferimentos civis redundará em tétano se o indivíduo não estiver corretamente vacinado. Parece uma probabilidade remota e pouco importante, mas não é para a pessoa que contrai a doença nem para sua família. Drauzio – A vacina do tétano, que hoje é aplicada universalmente na infância, como deve ser administrada nas demais faixas etárias? Mendonça – Normalmente, logo nos primeiros meses de vida, a criança recebe a vacina tríplice contra tétano, difteria e coqueluche. Para os adultos, existe uma forma especial chamada Dupla Tipo Adulto contra difteria e tétano. Minha maior preocupação no que se refere ao tétano é a geração mais velha que não foi vacinada na infância. Essas pessoas se acidentam e vão para um pronto-atendimento ou para um pronto-socorro, onde a atenção voltada para essa doença é precária. É fundamental lembrar que a vacinação básica contra o tétano é feita em três doses e que só depois da terceira o indivíduo estará protegido. Considera-se reforço só a partir da quarta dose em diante. Essa é uma situação delicada, porque no Brasil não se costuma cercar com os cuidados necessários as pessoas que sofrem ferimentos. Drauzio – Em relação à vacina contra o tétano, como deve portar-se o adolescente de 15 anos e a pessoa de mais de 60 que nunca foi vacinada? Mendonça – No Brasil, nas últimas décadas, a vacinação na infância atingiu um nível bastante satisfatório. Por certo, os adolescentes de hoje já foram corretamente vacinados quando pequenos e precisam apenas tomar a dose de reforço. É provável que aos 15 anos estejam tomando o primeiro reforço que deverá ser repetido a cada 10 anos. Já a probabilidade de o idoso não ter sido vacinado é muito grande. Quando se pergunta para uma pessoa de 50, 60 anos se tomou a vacina, é comum ouvir que ela não sabe, talvez tenha tomado, mas não se lembra. Nesses casos, a melhor conduta é considerar que não houve vacinação prévia e realizar as três doses básicas para depois prescrever o reforço de 10 em 10 anos. Drauzio – Como são administradas as três doses básicas da vacina contra o tétano? Mendonça – A pessoa toma a primeira dose no momento que requer atenção especial. A segunda, um a dois meses depois e a terceira, de dois a seis meses depois da segunda. Esta é uma informação importante que a população nem sempre conhece. Em vacinação, trabalha-se com intervalos mínimos ideais, mas o intervalo máximo é infinito. A pessoa que atrasou uma dose não precisa recomeçar o ciclo. Continua do ponto em que parou. Não está certo pensar: ah, tomei a primeira dose, esqueci a segunda, então deixa para lá! Não, no momento em que se dispuser, poderá tomar a segunda e programará a data adequada para a terceira dose. Essa informação é muito importante e não pode ser desprezada. |
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