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Atendimento de leigos Drauzio – Ninguém está livre de precisar socorrer uma pessoa que sofreu um acidente de automóvel, caiu na rua e bateu a cabeça, ou foi atropelada. Quem está em volta, o que deve fazer nesse momento? Dario Birolini – Essa é uma pergunta muito importante. Eu entendo que, na maioria das vezes, o transeunte ou a pessoa que assiste a uma situação como as que você enumerou não têm qualificações técnicas para prestar qualquer tipo de atendimento. Por isso, precisa estar muito claro dentro de sua cabeça o que deve e o que não deve ser feito. A primeira providência é lembrar que o local do acidente deve ser sinalizado para evitar que mais alguém se transforme em vítima e para indicar que há um acidentado passando mal no chão. Parar o trânsito ou desviá-lo, pedir para os motoristas reduzirem a velocidade é fundamental para que não ocorra uma sucessão de atropelamentos e colisões naquela hora. A segunda providência é mobilizar alguém para chamar o resgate e pedir que pessoas qualificadas sejam enviadas ao local para prestar atendimento correto e transportar a vítima com segurança para alguma instituição de saúde. Na cidade de São Paulo, basta discar para 192 ou 193 para ter atendimento imediato. Terceira providência: como quem está prestando esse tipo de ajuda não tem a qualificação necessária para o atendimento especializado, o melhor que tem a fazer é não fazer nada. Deixar a vítima quietinha no chão, não ajudar a levantar-se nem transportá-la para outro lugar, enquanto se espera a chegada de assistência tecnicamente competente, são recomendações que devem ser seguidas à risca. A única coisa que se pode fazer numa hora dessas, se a pessoa estiver inconsciente e vomitando, é virá-la para evitar que o vômito penetre nas vias aéreas e a sufoque. Às vezes se fala em respiração boca-a-boca e massagem cardíaca. Isso é bonito de dizer, mas muito complicado fazer. Eu pergunto se você, que é médico, sabe fazer, com certeza, o diagnóstico de parada cardíaca. Eu não sei, e o leigo também não sabe. Além disso, massagear o peito da vítima pode agravar os traumas que já se instalaram. Drauzio – Nesses momentos, é muito importante que alguém assuma a liderança da situação porque todos em volta começam a dar palpites: vira a cabeça, levanta, põe no carro, estica a perna… Dario Birolini – Tentando ajudar, as pessoas sugerem exatamente o que não se deve fazer. Pôr no carro, sentar a vítima, bater nas suas costas são intervenções que podem transformar uma lesão parcial em lesão total. É clássico na literatura o caso do indivíduo com coluna fraturada, mas medula preservada que tem os movimentos comprometidos por causa do atendimento errado na hora do acidente . Como se sabe, a medula espinhal é constituída por nervos responsáveis pela sensibilidade e motricidade do corpo. Mexer no acidentado, virá-lo de um lado para o outro desestabiliza a fratura e transforma o indivíduo, que poderia recuperar-se totalmente, num paraplégico ou tetraplégico. Por isso, a ordem é não mexer e esperar alguém qualificado para dar a atenção que o paciente requer naquele momento. Site www.sbait.org.br |
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