Valentim Gentil Filho é médico
e professor de Psiquiatria na Universidade de São Paulo.
Seu filho é bipolar?
Valentim Gentil
Não existem testes padronizados para transtorno bipolar, mas esta
lista, adaptada do livro The Bipolar Child, pode ajudá-lo a reconhecer
alguns sinais de alerta. Assinale os comportamentos que seu filho atualmente
apresenta ou apresentou no passado. Se você assinalar mais de 20
itens, ele deveria ser examinado por um profissional da área.
Seu filho: 1- Fica aflito demais quando separado da família; 2- Demonstra ansiedade ou preocupação excessiva; 3- Tem dificuldade para levantar-se pela manhã; 4- Fica hiperativo e excitável à tarde; 5- Tem sono agitado ou dificuldade para conciliar o sono; 6- Tem terror noturno ou acorda muitas vezes no meio da noite; 7- Não consegue concentrar-se na escola; 8- Tem caligrafia pobre; 9- Tem dificuldade em organizar tarefas; 10- Tem dificuldade em fazer transições; 11- Reclama de sentir-se aborrecido; 12- Tem muitas idéias ao mesmo tempo; 13- É muito intuitivo ou muito criativo; 14- Distrai-se facilmente com estímulos externos; 15- Tem períodos em que fala excessiva e muito rapidamente; 16- É voluntarioso e recusa-se a ser subordinado; 17- Manifesta períodos de extrema hiperatividade; 18- Tem mudanças de humor bruscas e rápidas; 19- Tem estados de humor irritável; 20- Tem estados de humor vertiginosamente alegres ou tolos; 21- Tem idéias exageradas sobre si mesmo ou suas habilidades; 22- Exibe um comportamento sexual inapropriado; 23- Sente-se facilmente criticado ou rejeitado; 24- Tem pouca iniciativa; 25- Tem períodos de pouca energia, ou alheamento, ou se
isola; 26- Tem períodos de dúvida sobre si mesmo ou de
baixa estima; 27- Não tolera demoras ou atrasos; 28- Persegue obstinadamente suas próprias necessidades; 29- Discute com adultos ou é mandão; 30- Desafia ou se recusa a cumprir regras; 31- Culpa os outros por seus erros; 32- Enerva-se facilmente quando as pessoas impõem limites; 33- Mente para evitar as conseqüências de seus atos; 34- Tem acessos de raiva ou fúria explosivos e prolongados; 35- Tem destruído bens intencionalmente; 36- Insulta cruelmente com raiva; 37- Calmamente faz ameaças contra outros ou contra si
mesmo; 38- Já fez claras ameaças de suicídio; 39- É fascinado por sangue ou coágulos; 40- Já viu ou ouviu alucinações.
Possibilidades de tratamento
Tratar crianças com transtorno bipolar não é fácil,
mas, atualmente, pelo menos é possível. O primeiro passo,
em geral, é prescrever medicamentos. Depois vem a psicoterapia
individual, a terapia familiar e as mudanças no estilo de vida.
Recursos terapêuticos
Lítio - O tradicional esteio, atenua os sintomas através
da regulação dos neurotransmissores, mas não funciona
para todas as pessoas.
Medicamentos anticonvulsivantes – Inicialmente
usados no tratamento da epilepsia, esses medicamentos ajudam a controlar
as crises de mania.
Antipsicóticos atípicos - Medicamentos
utilizados para ajudar os esquizofrênicos a vencerem os delírios
podem fazer o mesmo pelos bipolares.
Antidepressivos - Apresentam o risco de aumentar os
ciclos do transtorno bipolar, mas seu uso pode ser necessário
como parte da associação de medicamentos.
Estilo de vida - Rotinas como, por exemplo, a fixação
dos horários de dormir e acordar, são fundamentais. O
uso de cafeína deve ser restringido. Os adolescentes devem evitar
o uso de drogas e álcool.
Psicoterapia individual - Crianças precisam
de aconselhamento para ajudá-las a equilibrar o sono, a alimentação,
o trabalho e a diversão. Elas também precisam falar sobre
problemas em casa e resolver conflitos que possam desencadear as crises.
Terapia familiar - Os pais devem aprender quando ceder
– isto é crucial no início do tratamento - e quando
devem ser firmes. Contendas ou disputas familiares devem ser reduzidas
ao mínimo. Os irmãos podem servir como olhos e ouvidos
confiáveis para uma criança cujas percepções
estão confusas.