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José Rosemberg, professor de Pneumologia e um dos fundadores da Faculdade de Medicina da PUC (SP), tem-se destacado no combate à tuberculose e ao tabagismo. Seu livro “Tabagismo, sério problema de saúde pública” foi premiado pela Academia Nacional de Medicina, em 1980.

Convenção-Quadro sobre o Tabagismo

Drauzio – O que o senhor acha que deve ser feito para reverter esse quadro?
José Rosemberg –
A saída é um programa nacional e educacional que leve a mensagem e uma campanha mundial contra o tabagismo. Na Organização Mundial de Saúde, 192 países e 200 ONGS, entre elas a que presido, assinaram um convênio que se chama Convenção-Quadro sobre o Controle do Tabaco que resultou no primeiro tratado de saúde pública mundial de prevenção, o primeiro sobre tabagismo. Se 40 países não fizerem a ratificação desse documento, ele não poderá ser transformado em lei internacional para proteger a população do mundo contra os efeitos nocivos do tabaco. Entre as medidas que defende estão a proibição da propaganda de cigarro, do patrocínio de eventos culturais e esportivos pela indústria do fumo, de fumar nos lugares públicos e a divulgação de imagens e frases de advertência nos maços de cigarro.
Pode-se proibir fumar nos locais de trabalho ou diversão, mas não se pode proibir que o indivíduo fume em casa. Por isso, a saída é elaborar um programa nacional de educação. Nenhuma lei é aplicável se não tiver base educacional e nenhum programa educacional funciona, se não contar com o amparo da lei. Legislação e educação constituem um binômio interdependente.
Nossa esperança é que até 2050 tenhamos conseguido conscientizar a sociedade de que fumar é um ato anti-social. Faz mal a quem fuma e a quem convive com o fumante.