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Pesquisa na Inglaterra Drauzio – Não resta mais dúvida de que o fumante vive menos. José Rosemberg – Que o cigarro encurta a vida, não há mais dúvida. Estatísticas no mundo inteiro atestam esse fato. A propósito, gostaria de citar um estudo realizado, em 1951, com 34.439 ingleses. Eles responderam um questionário de mais de trezentas perguntas sobre como viviam, que medicamentos tomavam, se eram portadores de doenças hereditárias, onde moravam, se eram fumantes ou não, se acendiam o cigarro com fósforos ou com isqueiro, etc. Como na Inglaterra, quando morre um médico, cópia do atestado de óbito vai para o Conselho Britânico de Pesquisas, foi possível verificar, depois de 40 anos de acompanhamento, que os médicos ingleses fumantes morreram mais do que os não-fumantes por 33 diferentes doenças. Outro dado obtido foi que 80% dos médicos que nunca fumaram chegaram vivos aos 70 anos. Entre os fumantes chegaram aos 70 anos 70% dos que fumavam 15 cigarros por dia; 65% dos que fumavam um maço de cigarros e 50% dos que fumavam dois maços. Recentemente, no British Medical Journal, saiu o resultado dessa pesquisa depois de 50 anos de acompanhamento e verificou-se uma diferença no índice de mortalidade dos médicos ingleses que começaram a fumar no começo do século comparados com os que começaram a fumar depois dos anos de 1930. A conclusão foi que hoje se morre três vezes mais por causa do cigarro, porque se fuma muito mais do que se fumava no começo do século. O impressionante é que 1/3 da mortalidade geral é provocada pelo tabaco e ocorre entre os 34 e os 69 anos, idade em que o homem é mais necessário e economicamente produtivo, e que nessa faixa de idade morre um a cada dois que começaram a fumar na adolescência. Drauzio – O que acontecerá se esse padrão de consumo não mudar? José Rosemberg – Hoje, morrem por ano cinco milhões de pessoas por causa do tabaco. Se o padrão de consumo não se reverter, em 2030, morrerão dez milhões por ano, dos quais sete milhões no mundo pobre e três milhões no mundo rico. Vale a pena discutir essa inversão. A epidemia está se deslocando do mundo rico para o mundo pobre, para a África, Ásia e América Latina, por algumas razões que vou enumerar. Como as pessoas do mundo rico começaram a fumar antes, já existem campanhas e leis muito mais severas contra o uso do tabaco. Como conseqüência, as companhias tabaqueiras internacionais estão dirigindo seus esforços para os países em desenvolvimento. Por isso, enquanto o consumo cai 1,7% ao ano nos países ricos, aumenta 2,45% nos pobres. Isso quer dizer que cem milhões de pessoas começam a fumar por ano: oitenta milhões no mundo pobre e vinte milhões no mundo rico. Se fumar fosse dar uma tragada e cair morto, ninguém fumava. O cigarro leva algum tempo para minar o organismo. Age na surdina. Daqui a dez ou vinte anos, portanto, muito mais gente vai morrer no mundo pobre por causa do tabaco. |
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