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José Rosemberg, professor de Pneumologia e um dos fundadores da Faculdade de Medicina da PUC (SP), tem-se destacado no combate à tuberculose e ao tabagismo. Seu livro “Tabagismo, sério problema de saúde pública” foi premiado pela Academia Nacional de Medicina, em 1980.

Cruzada antitabagista

DrauzioO senhor começou essa cruzada antitabagista nos anos 1970. O que o levou a perceber que o cigarro era um problema gravíssimo de saúde pública?
José Rosemberg – Como médico, sabia que o cigarro era mortal, mas não dedicava tanto tempo a divulgar essa informação, porque minha especialidade é a tuberculose. Todavia, em 1970, um amigo dinamarquês que era presidente e diretor da Organização Mundial de Saúde, me pediu para divulgar na classe médica a importância do combate ao tabagismo, porque a OMS pretendia lançar o primeiro Dia Mundial de Combate ao Tabagismo (31 de maio). Atendendo ao seu pedido, consegui aprovar a primeira Semana Universitária Antitabágica na PUC/SP, que se transformou num grande fórum de discussão a respeito desse tema.
Nessa ocasião, escrevi um artigo de mais ou menos vinte páginas sobre tabagismo e coloquei numa gaveta. Quando o reli, vi que ele não convenceria nem mesmo os médicos interessados no assunto. Redigi, então, uma monografia que foi publicada no primeiro número especial da revista da PUC/SP. A essa publicação seguiu-se “Tabagismo: Sério Problema de Saúde Pública”, laureado pela Academia Nacional de Medicina, o primeiro livro científico brasileiro sobre o tabaco como grave problema de saúde pública. Daí em diante, tenho me dedicado a campanhas de esclarecimento junto à classe médica a respeito do tabagismo.
Atualmente, sou presidente da Comissão de Tabagismo da Associação Médica Brasileira, que tem alcance muito grande, e membro da Comissão Antitabagismo criada pelo Conselho Federal de Medicina. Sou também presidente honorário da Comissão Latino-Americana Antitábágica e presidente do Comitê Coordenador do Tabagismo no Brasil. Esses cargos facilitam meu contato com os médicos e, de vez em quando, com o público leigo como está acontecendo nesta entrevista, que considero muito importante para informar a população sobre os prejuízos que o cigarro provoca.