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“Os sonhos, sonhos são” Drauzio – Existe alguma base científica que permita explicar as teorias que as pessoas elaboram a respeito dos sonhos como fonte de revelação dos desejos íntimos ou de características da personalidade? F. Alóe – A tarefa de interpretar os sonhos cabe ao pessoal que trabalha com psicanálise. Na visão neurofisiológica do sono com sonhos, os sonhos representam simplesmente uma manifestação elétrica do cérebro, usando o material do passado recente ou remoto para construir histórias bizarras e sem nexo e que desempenham múltiplas funções: memória, plasticidade neuronal, ou seja, reconstrução das ligações entre os neurônios, e desenvolvimento cerebral. Por causa disso, crianças pequenas e lactentes na fase de amamentação sonham mais que os adultos. Acho difícil usar essa janela do nosso comportamento, que é o sonho, para definir a personalidade de uma pessoa, especialmente se considerarmos que, às vezes, elas sonham com coisas que nada têm a ver com seu dia-a-dia. Drauzio – Seguindo essa linha de raciocínio, já que todos os mamíferos sonham, fica complicado imaginar a personalidade de um coelho com base nos sonhos do animal. F. Alóe – Se usarmos determinados tipos de medicação antidepressiva, estaremos suprimindo o sono REM durante semanas e nem por isso haverá alterações na personalidade das pessoa ou afloramento de tendências positivas ou negativas. Ao contrário, quando indicado adequadamente, o antidepressivo melhora os transtornos de melancolia e tristeza. |
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