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Função do sonho Drauzio – Na Antiguidade, os sonhos eram considerados premonitórios. Essa fase do sonho mágico foi derrubada por Freud quando estabeleceu sua ligação com o inconsciente. Na década de 1950, quando se conheceu melhor a fisiologia do sonho, passou-se a entendê-lo como simples descarga de informação inútil, uma forma de o sistema nervoso livrar-se do que não lhe interessa. Mais tarde, as experiências realizadas com outros mamíferos mostraram o sonho funcionando como uma estratégia de sobrevivência. Como a neurofisiologia moderna encara essas teorias? F. Alóe – O lado simbólico dos sonhos envolve um mecanismo psicológico que os freudianos interpretam à sua maneira. Do ponto de vista neurofisiológico, o sonho desempenha uma série de funções. Uma é descarregar o excesso de informações, de resíduos que deixaram de ser interessantes. Outra vem sendo estudada desde 1988 e indica que o sonho é importante para fazer a reverberação, ou seja, a reativação de determinados circuitos. Parece que ele tem a função de proporcionar um aprendizado indispensável para a perpetuação da espécie, pois facilita a transferência de elementos apreendidos durante a vigília de uma memória de curto prazo para outra de mais longo prazo. É como passar repetidas vezes uma fita de vídeo para que a pessoa assimile o que nela está contido. Uma experiência feita com ratos demonstrou que a circuitaria neuronal ativada durante o processo de aprendizagem de uma tarefa nova, estava ativa durante o sonho e, depois de um tempo, era reativada automaticamente toda a vez que o animalzinho refazia a tarefa que tinha aprendido. Drauzio – Para quem não sabe como isso acontece, existe um exame chamado PET que mostra as áreas do cérebro que estão funcionando em determinado momento. Experiências com ratinhos soltos num labirinto demonstraram que durante o sonho são ativadas as mesmas áreas cerebrais estimuladas enquanto o animal percorre o local. Nossos problemas são muito mais complexos do que os desses ratinhos, pois envolvem relações pessoais, familiares, afetivas e de trabalho. F. Alóe – Existem outros experimentos interessantes. Está provado que ratos privados do sono REM apresentam menor capacidade de aprendizagem. Já os seres humanos possuem dois tipos de memória: a memória declarativa que permite decorar, por exemplo, uma lista de palavras ou de números, e a memória de procedimentos por meio da qual se aprende a fazer alguma coisa. Comparando dois grupos de pessoas, as que são privadas do sono REM manifestam desempenho de aprendizado significativamente pior do que as que dormem sem interferência. Tais evidências atestam que o sono REM é importante para o aprendizado desde a escala biológica mais primitiva. |
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