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Sífilis primária Drauzio – Quanto dura o período de incubação que vai do contato sexual que provocou a transmissão da bactéria Treponema pallidum causadora da sífilis ao aparecimento da primeira lesão? L.J. Fagundes – O período de incubação dura aproximadamente de três a quatro semanas. A primeira manifestação da doença (estágio de sífilis primária) é a presença do cancro duro, uma úlcera genital, que na maioria das vezes é uma lesão única, com borda bem definida, semelhante a uma moldura, sem pus no fundo e com base endurecida. Esse tipo de lesão é característico dos pacientes com imunidade integra. Nas pessoas com alterações da imunidade, por terem sido submetidas a transplantes e estarem tomando drogas imunossupressoras, ou por serem portadoras do vírus HIV ou já terem manifestado a Aids, as lesões deixam de ser únicas e passam a ser múltiplas. São lesões friáveis, ou seja, que sangram com facilidade, e, mesmo utilizando medicação específica, o tempo de cicatrização é muito superior ao dos pacientes com sistema de defesa integro. Drauzio – Em que local dos genitais masculinos e femininos, essas lesões se assestam com mais freqüência? L.J. Fagundes – No homem é na região do freio ou frênulo do prepúcio. Nas mulheres, na região da fúrcula, isto é, no encontro dos pequenos lábios. Por quê? Porque, nas relações sexuais, esses são o primeiro ponto dos genitais em que há atrito e os microtraumas permitem a passagem da bactéria Treponema pallidum do genital infectado para o não infectado. Drauzio – Qual o destino da bactéria nas três ou quatro semanas do período de incubação? L. J. Fagundes – Assim que a bactéria penetra, começa a multiplicar-se no organismo. A úlcera representa sua presença no local de inoculação. Quando ela agride o tecido dos genitais, em torno dessa agressão, desenvolve-se um processo inflamatório, cujas células, os linfócitos, são as mesmas que o vírus da Aids tem predileção por infectar. Esse é o ponto de intersecção entre a sífilis e a Aids. Existem outros, mas esse é o mais importante. Já que ambas são doenças sexualmente transmissíveis, o fato de existir uma lesão sifilítica ulcerada que acarreta um processo inflamatório composto por linfócitos - as células-alvo do vírus da Aids - faz com que a lesão seja a porta de entrada para o HIV e um reservatório disseminador do Treponema pallidum. Drauzio – Isso é assustador. Você disse que, no Brasil, temos aproximadamente 3,5 milhões de casos novos de sífilis por ano. Isso significa que, potencialmente, 3,5 milhões de pessoas podem infectar-se com o vírus da Aids ou transmitir esse vírus. |
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