Características da infecção

Drauzio – Tinha justificativa a prática de levar as crianças, especialmente as meninas, para pegarem rubéola no passado?
Jorge Amarante – Tinha. Aliás, ao longo dos últimos anos, no que se refere à rubéola, o grande benefício foi o aparecimento da vacina. A mãe não precisa mais levar a filha pequena até a casa da vizinha para pegar logo a doença, a fim de evitar que ela desenvolva a síndrome da rubéola congênita na vida adulta. Desde que vacinada corretamente, a menina não correrá esse risco.
Drauzio – Quais as características do vírus que transmite a rubéola?
Jorge Amarante – O vírus da rubéola pertence à família do Rubivirus e é transmitido pelas gotículas de saliva eliminadas, quando o portador do vírus ou da doença fala, tosse, espirra. Não necessariamente esse indivíduo fica doente e manifesta os sintomas característicos da rubéola: febre, dor nas articulações, erupção cutânea, aumento de gânglios. Muitas vezes, o portador é saudável, mas carrega o vírus na garganta, excreta-o na saliva e transmite-o para outras pessoas.
Drauzio – Existe uma estimativa sobre quantas pessoas apresentam esse tipo de infecção assintomática?
Jorge Amarante – A maioria das pessoas que adquire o vírus da rubéola não adoece, mas desenvolve uma forma assintomática ou subclínica da infecção e transmite o vírus por um tempo. Vamos tomar o caso típico do portador com erupção de pele. O período de transmissão começa dez dias antes de o exantema aparecer e persiste por mais quinze dias depois de seu desaparecimento. Portanto, é relativamente longo o tempo em que a transmissão do vírus ocorre, sem que haja sinais evidentes da doença.
Na verdade, só mais ou menos 20% dos infectados desenvolvem sintomas. Os outros 80% são assintomáticos apesar de estarem transmitindo o vírus.
Drauzio – Nas formas aparentes da doença, quanto dura o período de incubação, ou seja, quanto tempo depois do contágio aparecem os primeiros sintomas?
Jorge Amarante – Entre 12 e 23 dias depois do contágio, surgem os sintomas.
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