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Opções de tratamento Drauzio – Em que consiste o tratamento dessas pessoas? Você já disse que dormir de barriga para cima é péssimo para quem ronca. Bagnato – Dormir de lado é sempre melhor. Ensinar o paciente a dormir de lado é o tratamento mais simples e barato que existe. Basta costurar um bolso nas costas de uma camiseta velha no qual caiba uma bolinha de tênis, que não é muito dura e, portanto, não machuca, mas provoca desconforto suficiente para que o paciente não deite de costas. Pacientes obesos precisam de uma bolinha maior. Essa medida serve para solucionar casos em que a apnéia ocorre só com a pessoa em decúbito dorsal. Por isso, não pode ser usada indiscriminadamente porque não é solução para todos os casos de apnéia. O tratamento da apnéia é um assunto polêmico. O diagnóstico é multidisciplinar, demanda a intervenção de vários profissionais, como otorrinos, neurologistas, cirurgiões de cabeça e pescoço. Às vezes, é preciso remover amídalas e adenóides ou fazer cirurgia para harmonizar a face. Nem todos os pacientes são pneumopatas que exigem a intervenção de um pneumologista. No serviço do sono ligado ao Departamento de Pneumologia e Psicobiologia da Escola Paulista de Medicina e que já existe há 12 anos, não aconselhamos, como muitos o fazem, a cirurgia de corte da campainha, um pedacinho pendente que faz parte do palato mole (céu da boca), pois pode ocasionar fibrose. Muitas vezes, o paciente melhora não porque removeu a campainha, mas porque tirou as amídalas na mesma cirurgia. Atualmente, o melhor tratamento para a apnéia é o CPAP nasal, uma máscara de silicone com uma ventoinha blindada. O aparelho acomodado no nariz gera uma pressão positiva transmitida à faringe que se abre para a passagem do ar. É uma prótese que funciona como ume espécie de bengala para o paciente. Drauzio – O CPAP custa caro? Bagnato – O preço no mercado brasileiro varia entre US$500 e US$900. Anos atrás custava em torno de US$ 2.500, US$3.000. Ainda é caro, mas barateou bastante em relação ao preço anterior e não existe produto similar fabricado no Brasil. Atualmente, a máquina diminuiu de tamanho e as máscaras ficaram mais silenciosas. Muitos pacientes vão abandonando o CPAP paulatinamente quando tratam a doença que deu origem à apnéia. Outros o usam ad aeternum. O importante é que o uso do aparelho afasta o risco de problemas cardiovasculares, melhora o ronco e a pressão arterial. Drauzio – Existe tratamento para os casos de apnéia ou para o roncador sem apnéia? Bagnato –Para pessoas que padecem com o ronco pode-se indicar uma prótese intra-oral, aparelhinho móvel que se coloca à noite para dormir. O bom aparelho deve manter a boca fechada e a base da língua projetada um pouco para frente e favorecer a mobilidade lateral para não forçar a ATM (articulação temporomandibular). Por isso, um dentista com experiência no assunto deve avaliar se não existe contra-indicação e se a arcada dentária suporta o uso do aparelho. Drauzio – Custa caro esse aparelho? Bagnato – O aparelho feito no Brasil custa mais ou menos R$400,00. O melhor aparelho, infelizmente, moldado no Brasil e fundido no exterior, custa o dobro do preço, mas permite certa mobilidade da mandíbula e traz a base da língua para frente. Drauzio – Esse aparelho reduz o ronco ou o elimina definitivamente? Bagnato – Em muitos pacientes o ronco desaparece definitivamente porque o aparelho mantém a boca fechada e traz a língua para frente. É um tratamento para apnéias leves. Grandes apnéicos precisam começar usando o CPAP. Só depois de saírem da faixa de perigo iminente, é possível introduzir outras opções de tratamento. |
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