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Depressão: doença incapacitante? Drauzio – Dê um exemplo prático de quão incapacitante pode ser um quadro depressivo? R. Moreno - A depressão se divide em leve, moderada e grave. É um engano imaginar que a depressão leve seja menos incapacitante se considerarmos a duração dos sintomas. No entanto, os quadros moderados e graves comprometem mais o indivíduo que fica com baixa produtividade, auto-estima diminuída e uma visão distorcida do mundo. Já tive pacientes que ocupavam cargos importantes, recebiam salários razoáveis, desfrutavam uma condição de vida relativamente boa e pediram demissão porque não se julgavam merecedores daquele emprego. Isso a curto e a longo prazo provoca desdobramentos complicados e desgastantes para a família e para o indivíduo. Tive também pacientes que tentaram o suicídio. Apesar de todos, felizmente, terem continuado vivos , alguns ficaram com seqüelas importantes e sua atitude pôs em xeque valores éticos, morais e religiosos e criou um conflito traumático na família. Sob o ponto de vista econômico, o indivíduo deprimido representa, ainda, um ônus para si, para a família e para a sociedade. Drauzio – Você considera uma boa orientação aconselhar as pessoas a não tomarem decisões radicais durante as crises? R. Moreno - Geralmente aconselhamos o paciente e sua família a não tomarem nenhuma decisão importante ou definitiva enquanto perdurar a crise. Drauzio – Num relacionamento sentimental a depressão é devastadora e freqüentemente destrói casamentos, não é mesmo? R. Moreno – Destrói casamentos e sempre interfere negativamente na relação. |
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