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Ressucitação


Primeira parte
Adilson Nascimento


Segunda parte - Sérgio Timerman
a) Prevalência
b) Novas Normas de Ressuscitação
c) Uso do desfibrilador


Assuntos relacionados a reanimação cardíaca

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Dr. Sérgio Timerman
é médico cardiologista, diretor do Departamento de Ressuscitação e Centro de Treinamento em Emergências do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

Adilson do Nascimento, ex-jogador de basquete da seleção brasileira, participou de três olimpíadas, quatro campeonatos mundiais e vários campeonatos sul-americanos. Jogando numa equipe de veteranos, teve uma parada cardíaca na quadra do clube Paulistano.

Segunda parte - Sérgio Timerman

b) Novas Normas de Ressuscitação

DrauzioO que pouca gente sabe é que esses cuidados podem ser prestados por qualquer pessoa que esteja por perto e no local em que aconteceu a parada cardíaca. Como ninguém está livre de ter de enfrentar uma emergência dessas, gostaria que você explicasse quais os passos para atender alguém com morte súbita.
Sergio Timerman – O socorro tem de ser prestado na hora exata em que ocorreu a parada cardíaca. Se a população leiga não estiver preparada para começar as manobras de ressuscitação imediatamente, a possibilidade de salvar a vida do paciente é muito pequena.
São quatro os passos fundamentais determinados pelas diretrizes de 2005 com o intuito de simplificar, ao máximo, o atendimento por leigos.
Primeiro: reconhecimento da parada cardíaca. De acordo com as normas anteriores, o primeiro passo era procurar a pulsação do paciente. Hoje, a instrução é verificar se há sinais de vida, ou seja, se a pessoa está consciente e respirando. Se tiver desaparecido o movimento respiratório do tórax, para cima e para baixo, e ele não responder perguntas simples, como “Você está bem?” ou “Você está me ouvindo?”,  trata-se de uma emergência cardíaca que exige atendimento rápido até a chegada do serviço médico de emergência.
Segundo: pedido de resgate. Telefonar ou pedir que alguém telefone para o serviço de resgate (em São Paulo/SP, o número é 192) e pedir uma ambulância para uma pessoa com parada cardíaca.
Terceiro: manobras de ressuscitação. As manobras de ressuscitação devem começar imediatamente e serem mantidas até a chegada do resgate. Para realizá-las, o socorrista deve tampar as narinas da vítima, distender seu pescoço, fazer duas respirações boca-a-boca e iniciar as 30 compressões torácicas com as mãos entrelaçadas, uma sobre a outra no meio do esterno, entre os dois mamilos. Em movimentos ritmados, ele deve jogar o peso do corpo enquanto faz a massagem. A cada 30 compressões, devem ser feitas mais duas respirações boca-a-boca.
Quarto: aplicação do choque elétrico com o desfibrilador para reverter o processo de fibrilação ventricular, que se caracteriza pela perda de ritmo dos batimentos cardíacos, o que torna impossível o bombeamento do sangue.

DrauzioNa verdade, durante as compressões torácicas, é importante o socorrista jogar o peso do corpo sobre o peito da pessoa com parada cardíaca para não cansar antes da chegada do serviço de emergência.
Sergio Timerman – Exatamente. Se ele flexionar os braços, vai cansar mais depressa e comprometer a qualidade da ressuscitação.

DrauzioNo meu tempo de estudante, eram cinco compressões. Agora, são trinta. Por que mudou?
Sergio Timerman – Antes de 2000, se houvesse um socorrista só, preconizavam-se cinco compressões e uma ventilação; se houvesse dois socorristas prestando socorro, quinze compressões e uma respiração boca-a-boca. Evidências científicas deixaram claro, porém, que quanto mais forem interrompidas as manobras de compressão, pior será o resultado da ressuscitação.  Por isso, passou para trinta o número de compressões torácicas recomendadas. Aliás, é mais importante fazer as compressões do que a ventilação boca-a-boca. De acordo com as novas diretrizes de 2005, a respiração boca-a-boca está sendo cada vez menos utilizada nos primeiros minutos da parada cardíaca.

Drauzio – Vamos imaginar uma situação prática. A pessoa está caída, não responde ao chamado e o socorrista acha que ela não está respirando. Ele apóia as duas mãos entrelaçadas sobre o esterno, entre os dois mamilos da vítima e faz 30 compressões, mas pode não se sentir à vontade de realizar a respiração boca-a-boca. Isso prejudica a ressuscitação?
Sergio Timerman –Nos grandes serviços médicos, observou-se que muitos profissionais não se sentiam à vontade para fazer a respiração boca-a-boca, especialmente quando não contavam com o sistema de barreira de proteção. Trabalhos realizados em Seattle (EUA), primeiro em animais e, depois em humanos, mostraram que, nos casos de parada cardíaca súbita, quando os leigos realizam apenas a compressão torácica, o benefício pode ser maior. 
O coração está parado e as massagens no tórax fazem o sangue circular novamente nos órgãos vitais. A ventilação é importante, depois de oito, dez minutos. Antes disso, há reserva suficiente de oxigênio, a não ser nos casos de afogamento e hipoxemia (baixa oxigenação) infantil.
Portanto, nos primeiros minutos depois da parada cardíaca, fazer compressão torácica sem respiração boca-a-boca é muito melhor do que não fazer nada. As novas diretrizes para o trabalho de ressuscitação deixam claro que a compressão torácica tem de ser de boa qualidade. Já existem serviços de emergência na Europa e nos Estados Unidos recomendando começar por ela e só depois fazer a respiração boca-a-boca.

DrauzioPor que 30 compressões?
Sergio Timerman – Número maior de compressões, sem interrupções para a ventilação, aumenta o tempo de circulação do sangue pelo cérebro e outros órgãos vitais.

DrauzioDurante quanto tempo a pessoa deve ficar fazendo a massagem torácica?
Sergio Timerman – Deve ficar fazendo as compressões até a chegada do serviço médico de emergência. Nem o leigo nem o profissional de saúde têm o direito de suspender as massagens antes disso.

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