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Ação dos medicamentos Drauzio – Como agem os remédios usados para emagrecer? Márcio Mancini – Os remédios podem auxiliar no emagrecimento de três maneiras: ajudando o indivíduo a comer menos, aumentando o gasto calórico ou diminuindo a absorção de nutrientes. Atualmente, podemos encontrar no mercado remédios que diminuem o apetite, os anorexígenos, e remédios que aumentam a saciedade, o que parece a mesma coisa, mas não é. Anfepramona, femproporex, mazindol são exemplos dos anorexígenos; a sibutramina, dos que interferem na saciedade. Já o orlistat diminui a absorção de gordura e age somente nos intestinos. Embora os anorexígenos tenham pequena ação sobre o aumento de gasto calórico, não existe ainda nenhum medicamento que tenha especificamente esse efeito. Drauzio – O orlistat não permite que a gordura que comemos seja absorvida pelo organismo? Márcio Mancini – Ele faz com que 1/3 da gordura que está nos alimentos seja eliminada pelas fezes. Os outros 2/3 são absorvidos normalmente. Drauzio – Você se referiu a remédios que tiram a fome, os anorexígenos, e a remédios que aumentam a saciedade, os sacietógenos, e disse que há uma diferença conceitual entre um e outro. Qual é essa diferença? Márcio Mancini – Fome é uma sensação que precede o ato de comer; a saciedade ocorre à medida que nos alimentamos. Remédios que tiram a fome podem fazer com que a pessoa nem comece a comer, pule refeições e não é isso que se deseja. Remédios que aumentam a saciedade não interferem na fome nem na vontade de comer, mas fazem com que o indivíduo não consiga chegar ao final do prato, porque se sente saciado mais precocemente. Drauzio – No tratamento da obesidade, podemos contar com remédios que tiram o apetite, com remédios que estimulam a saciedade e com os que diminuem a absorção dos nutrientes. Na prática, porém, ainda não estão disponíveis remédios eficazes para aumentar o gasto calórico. Se pensarmos bem, temos poucas armas para tratar de uma doença tão grave quanto a obesidade? Márcio Mancini – São essas as armas farmacológicas de que dispomos para tratamento dos obesos e, mesmo tomando esses remédios, nem sempre eles respondem como se desejava. O tratamento da obesidade requer também a correção de certos hábitos (o sedentarismo, por exemplo) e a escolha dos alimentos adequados. Há quem tome os remédios, coma pouco e não emagreça porque não eliminou frituras e outros alimentos calóricos da dieta. Na adianta prescrever remédios sem o suporte da orientação nutricional adequada e do aumento da atividade física. |
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