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José Mário Reis é cirurgião vascular, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Impotência e um dos pioneiros a estudar a impotência sexual masculina no Brasil.

Próteses penianas

Drauzio - Que inovações trouxeram as próteses penianas?
José Mário Reis – As próteses penianas provocaram verdadeira revolução no campo da disfunção erétil. Na verdade, o nome deveria ser implante, porque a palavra prótese subentende a idéia de que alguma coisa foi retirada para outra ser posta no lugar. Não é esse o procedimento adotado. Para introduzi-las no corpo cavernoso, apenas afasta-se o tecido esponjoso, mantendo intacta a enervação do pênis e a glande. Em geral, são feitas de silicone e dão rigidez ao pênis permitindo a penetração na vagina sem alterar a capacidade de ejaculação, nem o desejo, nem o prazer.
Vencidas as dificuldades inerentes a qualquer pós-operatório, o desempenho sexual é restabelecido e, seis meses depois, o indivíduo nem se lembra de que usa uma prótese.
As primeiras tentativas de aplicação de próteses datam do século XIX. Essas eram feitas com um pedaço de costela. O problema é que o osso era reabsorvido pelo organismo e elas duravam pouco. Mais tarde, surgiram outras com articulações semelhantes às dos dedos da mão. Podiam ficar eretas e dobrar-se. Também não deram muito certo.
Atualmente, usa-se uma prótese dotada de um mecanismo hemodinâmico muito simples e que pode ser acionado pelo próprio portador permitindo o controle da ereção segundo sua vontade. Como não se mexe na enervação nem na glande, a sensibilidade fica totalmente preservada. Basicamente, ela consiste no seguinte: dentro do escroto, coloca-se uma bolsa cheia de líquido cuja saída é vedada por uma bolinha. Se esse pequeno reservatório for apertado com a mão, a bolinha se movimenta, o líquido é liberado e o indivíduo entra em ereção. Basta dobrar o pênis para que a situação se reverta. O líquido reflui para a bolsa, a bolinha retorna à posição inicial e a ereção desaparece. Embora a garantia dessas próteses seja de 5 anos, vários pacientes as usam há mais tempo sem complicação alguma. Além disso, o procedimento cirúrgico é bastante seguro e o período de internação muito curto. A única recomendação importante é que a prótese não deve ser usada nos primeiros 30 dias depois de sua implantação.



DrauzioComo reagem as mulheres diante dessa nova realidade?
José Mário Reis – Muitas se sentem inseguras imaginando que o comportamento do companheiro se tornará mais ousado com outras parceiras. As próteses não mudam a personalidade de seu portador. Ele seguirá agindo como sempre de acordo com seus princípios, valores e interesses.