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Dr. Sérgio Timerman é
médico do Incor, o Instituto do Coração de
São Paulo, dirige o Departamento de Treinamento e Pesquisa
em Reanimação e é o diretor-presidente da Fundação
Inter-Americana de Coração. |
Corrente da Sobrevida

Drauzio– Como alguém que não entenda
nada de medicina pode reconhecer uma parada cardíaca?
S.Timerman – Até pouco tempo atrás,
existia uma série de procedimentos e técnicas que, se
eram relativamente complicados para os profissionais de saúde,
imagine para os leigos. A partir de agosto de 2000, uma força
tarefa mundial resolveu simplificar as técnicas de ressuscitação
que, no Brasil, infelizmente, são pouco difundidas. Apenas o
Comitê Nacional de Ressuscitação, o Instituto do
Coração e algumas outras instituições se
encarregam de divulgá-las.
É a Corrente da Sobrevida que mostra como atuar desde o momento
em que a pessoa tem uma parada cardíaca até a chegada
do profissional de saúde. Ela é composta por quatro elos:
1º passo - reconhecer a parada cardíaca
e chamar o serviço de emergência
Percebendo que a pessoa está inconsciente, não responde
aos chamados, não está respirando porque teve uma parada
cardíaca, deve-se chamar imediatamente o serviço de emergência
pelo telefone 192.
Antigamente, falava-se muito em apalpar os pulsos. Hoje, se manda procurar
sinais de vida. Está respirando? Se não está, não
se deve perder tempo e, chamado o serviço de emergência,
deve-se começar a atuar, iniciando as manobras de reanimação.
2º passo – dar início às manobras
de reanimação: massagem cardíaca e respiração
boca a boca.
Se a pessoa não foi vítima de trauma e teve uma parada
cardíaca súbita, deve-se estender seu pescoço puxando
o queixo para trás para fazer com que o fluxo de ar volte para
a traquéia. Coloca-se, então, o rosto perto do nariz e
da boca do paciente e observa-se se há movimento respiratório
no tórax. Não havendo sinais de respiração,
deve-se iniciar a respiração boca a boca. Tapa-se o nariz
do doente para que o ar não saia por ali, e insufla-se duas vezes
ar em sua boca.
Em seguida, com as mãos espalmadas e trançadas para dar
mais peso, pressiona-se 15 vezes o tórax exatamente no meio de
uma linha imaginária traçada entre os dois mamilos.
O massageador não deve fazer força com os braços
e com as mãos para não chegar à exaustão
rapidamente. Deve jogar a força de seu corpo sobre o tórax
do paciente num movimento rítmico. A técnica da boa massagem
independe do peso corpóreo do massageador. É importante
ressaltar que a massagem cardíaca tem de ser mantida até
a chegada do desfibrilador ou do serviço de emergência.
No que se refere à respiração boca a boca, muitos
leigos e até alguns profissionais de saúde sentem um pouco
de medo de fazer a respiração numa pessoa desconhecida,
temendo contrair doenças. Além disso, ela pode ter apresentado
vômito ou qualquer outro problema que causam constrangimento.
Por isso, hoje a recomendação mundial é realizar
a massagem cardíaca efetivamente. Se a pessoa não se sentir
segura e à vontade para realizar a respiração boca
a boca, deve manter a massagem cardíaca até a chegada
do socorro. Existem trabalhos que demonstram a importância crucial
da compressão cardíaca nos dez primeiros minutos e seus
bons resultados mesmo sem a respiração.
3º passo – aplicar a desfibrilação
ou choque elétrico.
Como já foi dito, grande maioria de paradas cardíacas
ocorre por um fenômeno chamado fibrilação ventricular
caracterizada pelo ritmo caótico do batimento do coração.
Não se conhece nenhum tratamento químico ou manual para
a fibrilação que não seja o choque elétrico.
Por essa razão, programas comunitários no mundo todo,
chamados Acesso Público à Desfibrilização,
estão colocando desfibriladores em locais públicos, como
aviões, aeroportos, estádios desportivos, entre outros,
a fim de que o leigo possa dispor deles e aplicar o choque antes mesmo
da chegada do serviço de emergência.
4º passo – chegada do serviço de
emergência e do profissional de saúde.
Observação: Essa seqüência pode ser acompanhada
no vídeo em que a enfermeira Ana Paula Quilaci apresenta o procedimento
de reanimação cardíaca no manequim Bob.
Assista
ao vídeo
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